
Demi atravessou a porta da sala e se viu cercada de olhares de surpresa e espanto. Tentou fingir que nada demais havia acontecido. Era apenas a mesma Demi entrando pela mesma porta de sempre, com as mesmas pessoas mesquinhas e superficiais de sempre. Mas ela sabia bem que aquilo não era verdade.
As pessoas eram as mesmas sim, suas atitudes provavelmente não haviam mudado no tempo em que ela permaneceu fora. Provavelmente, com sua rápida saída de lá, trataram logo de procurar outro para encherem de insultos e abalarem sua confiança. “Eles não fazem por mal”, dizia seu lado bom, que tentava convencê-la de que perdoar é viver.
“Claro que não.” – Pensava ela, em contrapartida – “Fazem por que suas vidas são podres demais. Machucar os outros os impede de serem machucados.”.
A Demi que atravessou aquela porta era outra. É claro que eles estavam chocados. Foi difícil reconhecê-la sem o aparelho, os óculos e com a proporção de seu corpo bem mais magro. O visual de “dane-se” que ela havia adotado não era nada comparado à sua nova postura. Dava para se perceber somente de respirar o mesmo ar que ela. Ela tinha segurança. Mais do que isso, ela tinha total segurança de si. Mas ela não sorria, apenas mantinha sua expressão fechada. Seus olhos duros sobre cada rosto que a olhava com surpresa e cochichava algo com a pessoa ao lado.
A segurança estava ali, mas ao mesmo tempo seu coração estava fechado. Ela encarou todos aqueles que faziam questão de humilhá-la em outros tempos, e não desviou o olhar até que eles o fizessem. Alguns sentiram um frio na espinha. Cogitaram na possibilidade dela estar armada, e de que todos morreriam devido à sua vingança.
Aqueles longos passos em direção à sua mesa foram seguidos pelos olhares de espanto, por hipóteses absurdas e dúvidas de todos os tipos. Mas quando se sentou, sorriu de forma sarcástica, quase como se achasse a situação uma piada. Abriu seu caderno e começou a anotar o que havia no quadro.
Estava um pouquinho orgulhosa. Transformou anos de desrespeito em temor em apenas alguns segundos. Sabia muito bem que medo não era igual a respeito, mas pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se superior a todos aqueles rostos que tanto a fizeram chorar quando ela não passava de uma “boa garota”.
Não sei o que deu em mim, mas quando a inspiração bate, não têm como ignorar. Haha
3 comentários:
Tão profundo, tão intenso, tão bem escrito que me senti a personagem, a própria Demi.
Nunca ignore inspirações como essa, menina!
Gostei muito, muito.
Beijinhos :*
Parabéns! Gostei muito do texto
Visita lá o meu blog, e me segue tb *-*
Bjs
Blog Leitura entre Amigas: http://leituraentreamigas.blogspot.com/
Olá, Dany! Que bom encontrar o seu blog e ler este post. ;)
Sobre Bad reputation, mto bem escrito, sem dúvida. Vc fez mto bem em obedecer à inspiração. Não a ignore, parece q ela gosta de vc! ;)
PS- Olhando os seus seguidores aí ao lado, já vi q vc anda mto bem acompanhada aqui, o blog é bem frequentado, haha!
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