Já faz um tempo que
reclamo de minha vida para mim mesma. É o tipo de coisa que evito fazer para
outro ser humano, evitando sempre aqueles sermões sobre alguém no mundo estar
com problemas mais sérios e mesmo assim não estar reclamando. Afinal, apenas a
minha própria consciência entende minhas crises existenciais inúteis. Bem, isso
quando não entramos em desacordo e ela mesma me joga na cara os problemas “mais
sérios” do mundo.
Longe de querer
parecer uma adolescente ingrata e cheia de neuras, é justamente isso o que
pareço. Mas eu não posso evitar. Ninguém reclama por prazer – não que eu saiba,
pelo menos – mas sim por falta de perspectiva e por impaciência. E ai do
infeliz que vier com aquela ladainha da paciência ser uma virtude. Uma ova!
Mas mesmo reclamando
quietinha, escrevo isso em um período conturbado: a TPM. O único lado bom desta
cretina é que sempre posso jogar a culpa para cima dela. Comi demais? É a TPM.
Estou inchada? TPM. Com os nervos à flor da pele? TPM. Ô palavrinha que pode
mudar tudo, não? Mas é claro que só mesmo as mulheres para entenderem. Para os
homens isso não passa de uma simples desculpa para tudo – e mesmo se for, E
DAÍ?!
O fato é que nesse
momento os maiores problemas do mundo não são nada em comparação aos meus (outro
sintoma da TPM, ficamos meio egoístas). Mandei a dieta para a PQP, comi todos
os doces que tive direito, tentando seguir a filosofia da Elisabeth Gilbert – a
autora de “Comer, rezar e amar” – que diz ter engordado os 11 quilos mais
felizes de sua vida. Prova de que dá pra engordar com alegria, não é mesmo?
BULLSHIT! Neuróticas
como eu não engordam com alegria, apenas se convencem por alguns minutos de que
é possível, mas logo que a balança acusa alguns números a mais caímos na real.
O mundo é fútil e me tornou fútil. Mas convenhamos meus caros, todo mundo tem
lá suas futilidades. Uma vaidadezinha egoísta e meio psicótica.
E aqui estou eu, numa
sexta à noite assistindo ao “Rei Leão” pela 150° vez (ganha um doce quem ler o
número do jeitinho que tem que ser), desejando um abraço e implorando por uma
piada que não saia dos alto-falantes da TV. Rendendo-me a um fim de semana de
maus hábitos que acabará com o despertar do meu celular na segunda de manhã, me
avisando que é hora de voltar à dieta, às atividades físicas, aos estudos e ao
contato humano.
Enquanto isso fico
por aqui com meus quilinhos a mais, minhas reclamações egoístas e inúteis, meu
desejo por doces e o Hakuna Matata de Timão e Pumba. Sabe como é, a culpa é da
TPM.

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