sábado, 28 de janeiro de 2012

Inutilidades...



Já faz um tempo que reclamo de minha vida para mim mesma. É o tipo de coisa que evito fazer para outro ser humano, evitando sempre aqueles sermões sobre alguém no mundo estar com problemas mais sérios e mesmo assim não estar reclamando. Afinal, apenas a minha própria consciência entende minhas crises existenciais inúteis. Bem, isso quando não entramos em desacordo e ela mesma me joga na cara os problemas “mais sérios” do mundo.
 Longe de querer parecer uma adolescente ingrata e cheia de neuras, é justamente isso o que pareço. Mas eu não posso evitar. Ninguém reclama por prazer – não que eu saiba, pelo menos – mas sim por falta de perspectiva e por impaciência. E ai do infeliz que vier com aquela ladainha da paciência ser uma virtude. Uma ova!
 Mas mesmo reclamando quietinha, escrevo isso em um período conturbado: a TPM. O único lado bom desta cretina é que sempre posso jogar a culpa para cima dela. Comi demais? É a TPM. Estou inchada? TPM. Com os nervos à flor da pele? TPM. Ô palavrinha que pode mudar tudo, não? Mas é claro que só mesmo as mulheres para entenderem. Para os homens isso não passa de uma simples desculpa para tudo – e mesmo se for, E DAÍ?! 
 O fato é que nesse momento os maiores problemas do mundo não são nada em comparação aos meus (outro sintoma da TPM, ficamos meio egoístas). Mandei a dieta para a PQP, comi todos os doces que tive direito, tentando seguir a filosofia da Elisabeth Gilbert – a autora de “Comer, rezar e amar” – que diz ter engordado os 11 quilos mais felizes de sua vida. Prova de que dá pra engordar com alegria, não é mesmo?
 BULLSHIT! Neuróticas como eu não engordam com alegria, apenas se convencem por alguns minutos de que é possível, mas logo que a balança acusa alguns números a mais caímos na real. O mundo é fútil e me tornou fútil. Mas convenhamos meus caros, todo mundo tem lá suas futilidades. Uma vaidadezinha egoísta e meio psicótica.
 E aqui estou eu, numa sexta à noite assistindo ao “Rei Leão” pela 150° vez (ganha um doce quem ler o número do jeitinho que tem que ser), desejando um abraço e implorando por uma piada que não saia dos alto-falantes da TV. Rendendo-me a um fim de semana de maus hábitos que acabará com o despertar do meu celular na segunda de manhã, me avisando que é hora de voltar à dieta, às atividades físicas, aos estudos e ao contato humano.
 Enquanto isso fico por aqui com meus quilinhos a mais, minhas reclamações egoístas e inúteis, meu desejo por doces e o Hakuna Matata de Timão e Pumba. Sabe como é, a culpa é da TPM.

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