Sabe aquela sensação de fúria que te abate
quando está à procura de algum culpado para a sua dor ou para os seus próprios
erros? Ela é uma fraude. Vive em constante engano e faz questão de enganar
todos os outros. É ela que nos deixa à mercê de um novo culpado tanto das
questões mais simples quanto das mais complexas. Ou seja, uma busca inútil.
O que ela realmente quer é nos fazer abraçar o
orgulho ferozmente, fazê-lo fazer parte de nossas vidas, como se isso fosse realmente
nos ajudar. No começo é genial, funciona. Nasce um egomaníaco, dono do mundo,
superior aos demais porque não liga para a opinião deles. E vou te dizer, é bem
legal. Somos tão capazes de esconder nossos verdadeiros sentimentos que
tornamos isso um hábito. E ninguém vê a sua dor.
Só que isso tudo é como uma droga. Te
entorpece e depois te larga com as consequências. E você terá que lidar com
elas sozinho, porque enquanto bancava o dono do mundo as pessoas se afastaram
de você.
Porém, o orgulho é apenas um bicho feio feito
para eventuais necessidades, e não para ser adotado como um estilo de vida. Já
percebeu que tudo parece mais simples quando um "me desculpe" é
melhor do que um "você começou!"? Porque tudo simplesmente se encaixa!
Já que deixamos, na maior parte das vezes,
esse lado humilde de lado, voltamos à busca por um culpado. E eis o campeão de
todas as culpas: O tempo.
Sim, pois o tempo muda as horas, os dias, as
estações e também as pessoas. Tendenciosos a ver sempre um lado negativo, enxergamos
mudanças de personalidade que nos afetam de maneiras pouco agradáveis, o que
nos afasta das pessoas. Sem percebermos que o que nos afastou foi nosso ego,
resistente às mudanças que não correspondem às nossas expectativas.
Mas o engraçado das pessoas é que, mesmo com
todos os indícios de que possuem uma natureza egoísta e ao menos um lado
narcisista, passam por cima das expectativas e provam a si mesmas que valem
mais do que os indícios apontam. Talvez por nossa necessidade de cultivar um
lado bom e de amar algo - uma pessoa, um esquilo ou uma árvore, que seja! E só
quando têm essa experiência magnífica o tempo transforma-se no curador das
mágoas e no fornecedor de segundas chances. Aceitamos as responsabilidades dos
erros e paramos de buscar um culpado.
No final do dia, a vida é mais leve e a
felicidade passa a não ser um sonho possível, mas torna-se real a cada batida
de nosso coração.

Um comentário:
Nossa Dany, profundo.
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