domingo, 19 de outubro de 2014

As palavras


Eu sempre fui fã das palavras. Elas têm um poder tão impressionante de nos levar ao encantamento. De nos fazer imaginar e sondar aquilo que é simplesmente surreal e de aliviar aquelas dores chatinhas do âmago, sabe?
Vejo as palavras como um de meus refúgios para quando estou chateada com as pessoas. Chateada por elas não honrarem com tanto fervor a maravilha que é esse poder de encantamento. De apenas o usarem por usar. Por não darem real significado à algo que um dia foi tão expressivo e bonito.
É claro que, depois de se iludir aos montes com tantas palavras bonitas, a gente começa a entender porque é que ficam dizendo por aí que "falador passa mal". É porque palavras geram expectativas. Expectativas de que ações serão tomadas. Para o bem ou para o mal, foi selado um acordo em que nos livraremos da inércia que nos assola todos os dias.
Obviamente, más interpretações também estão aí para bagunçar e confundir. Estamos apressados por emoção e o 'querer tudo para agora ' faz com que deixemos passar batido aqueles detalhes, ora tão belíssimos, ora tão importantes.
Não tentamos mais compreender ninguém, contanto que já estejam dentro de nosso contexto prático. Encontramos o romantismo nas mensagens e o deixamos a desejar na vida real. Estamos tão mergulhados em nossos anseios sobre o que os outros dirão que nem nos permitimos sentir por nós mesmos!
Eu amo as palavras quando me rendo ao seu fascinante arsenal de aventuras, romances, guerras e utopias. Quando elas me fazem sentir estar em outra dimensão, livre de todos os meus problemas e medos, de toda a minha realidade, mesmo que por um curto espaço de tempo. Amo todas estas palavras em verso, prosa e poesia. Em livros largados às traças na última prateleira da biblioteca. Em artigos e colunas de gente que sabe transformar o 'real' em 'fantástico'. Em músicas que trilham a nossa vida desde à infância e nos ensinam a sonhar.
Mas palavras ao vento não me interessam. Promessas de sms não me fazem morrer de amores. Elogios à distância, mesmo quando tão próximos, não me arrepiam da cabeça aos pés e não fazem meu coração bater mais rápido.
Eu sou fã das palavras, mas ainda sou uma admiradora nata do olho no olho, do arrepio diante do toque da pele, do sorriso sincero, do "mostrar interesse" pessoalmente pelo meu dia, pela minha noite, pela minha história.
Sou admiradora daquilo que as palavras, em sua intenção mais frágil e bela, me ensinaram. Mas tenho o coração fechado para aquelas que contentam-se em serem apenas ditas, e não preocupam-se em serem vividas.

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