Entrar no Facebook e ver as notícias parece
uma forma muito mais eficiente de se manter atualizado do que comprar um jornal
na banca – especialmente se for às 6 da manhã. Além de prático, é muito mais
rápido e resumido. Esta tem sido a realidade de muitos. Uma prova de que o
Facebook é muito mais do que um meio de exibir ‘selfies’.
Para os entusiastas das teorias das
conspirações, estamos presos em uma armadilha, mas não nos damos conta –
afinal, é divertido. Já dizem muitas mães e tias por aí que é o fim dos tempos
e que nunca houve tanto egoísmo e falsidade como agora.
Partindo para o lado mais objetivo de todas
estas afirmações, esta é provavelmente a era mais individualista de todos os
tempos. Por irônico que pareça, a rede social que junta também separa. Mas a
recíproca também é verdadeira.
Apesar de estarmos cada vez mais ausentes de
forma física, tecnologicamente falando, somos um conglomerado de pessoas com
certos níveis de poder que somados formam uma massa de expressão significativa.
E é possível ver isso nos maiores movimentos virtuais de 2013, como o
#vemprarua, resultado dos protestos ocorridos em Julho do mesmo ano, ou a
página “Diário de Classe”, da estudante Isadora Faber – perseguida e admirada
por suas denúncias contra o sistema de educação pública.
Mas como nem só de idealismos vivem as redes
sociais, não é de se admirar a quantidade de seguidores dos blogueiros e
artistas mais populares da atualidade. Gabriela Pugliesi – a blogueira fitness
com um tanquinho quase surreal para as mulheres aqui de baixo - faz sucesso com
seus 566,251 mil seguidores no Instagram. Nem chega perto do craque Neymar Jr,
é claro, que já ultrapassa a margem de 11 milhões de seguidores. Uma verdadeira
disseminação de ideal de beleza e o sonho do futebol, compartilhado por toda –
ou quase - uma nação de brasileiros.
A narrativa por detrás de tanta beleza,
juventude e determinação – mesmo que o lema seja, em sua maioria, algo banal
como “No pain, no gain” – é uma poderosa fonte influenciadora, que molda
pensamentos e hábitos de maneira muito eficaz. Porém, este nível de influência
e admiração atingido por carismáticos “populares” diz respeito a propósitos
mais superficiais e cotidianos. Os seguidores da garota fitness e de Neymar
estão, na verdade, buscando adequar-se a um mundo em que bundas e futebol são
mais valorizados do que conhecimento, por exemplo.
Artistas como Beyonce, Lady Gaga e Nick Minaj
não surgiram instantaneamente com uma ideia mirabolante para conquistar toda
uma geração. Assim como “por trás de um grande homem há sempre uma grande
mulher”, por trás de um grande artista há sempre um grande empresário – Jay Z
que o diga.
Não estou aqui menosprezando as formas de
poder tão visíveis em nossa Timeline – ou no VEVO. O propósito é ressaltar a
simples e astuta realidade de que quem manda na narrativa, manda no mundo.
Destaco aqui os ‘contadores de histórias’ e
inventores de movimentos independentes - como Rafinha Bastos e suas polêmicas
“causas” em sua página do Facebook - ou co-dependentes, como Neymar e a CBF.
Ou, permitindo-se mergulhar no universo das conspirações – Obama e os
Iluminatis.
O poder verdadeiramente dito está escondido
por detrás de camadas de poderes mais “expostos”, por assim dizer. É aquela
história de “o chefe do meu chefe é quem dá as ordens”.
Se a intenção fosse destacar qual a forma de
poder realmente benigna para uma sociedade habituada ao caos, ela viria de uma
mudança estrutural significativa na educação.
Porém, benigna ou não, isso nada mais é do
que a base de todo poder: Conhecimento. A maneira como ele será usado – para o
bem ou para o mal - é outro assunto.
Aqueles cujo poder está nas mãos –
independente de qual for o nível – nos impelem a reagir, seja lá qual for o
propósito. Basta um olhar mais atento: uma pequena mudança na narrativa e mais
uma vez estamos dançando conforme a música de alguém.

Nenhum comentário:
Postar um comentário