quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Quando em New Orleans



Preciso te falar sobre New Orleans.

Em questão de festas, me lembra um pouco o Rio. Eu particularmente não tenho essa ânsia de conhecer a cidade do cristo redentor, e o carnaval não é minha praia. Mas se New Orleans fosse o Rio, ao invés de samba e funk tocando nas ruas, você ouviria jazz a cada esquina. Falo de jazz de raiz, tocado por alguma pessoa talentosa no meio da rua.

Um deles estava na frente do famoso "Cafe Du Monde". Ele tinha a voz de Louis Armstrong e ouso dizer, um jeitinho meio brasileiro de fazer a gente se sentir bem vindo. E por falar nas pessoas, as pessoas do sul são diferentes. Em alguns momentos você talvez se encontre parado tentando entender a rota dos bondinhos na Canal Street, e ao perceber que você está perdido, alguém vai te abordar perguntando se você precisa de ajuda - e eles não vão te cobrar nada por isso.

Se você é bom em identificar sotaques, você vai notar o sotaque do sul. O pessoal de Louisiana têm um jeito meio descontraído de falar, chega a ser charmoso dependendo do ponto de vista. Já falei de gente talentosa? Bom, tem também. De criancinhas usando baldes como baterias - e arrebentando no som - até sapateadores disputando qual lado da calçada recebe mais atenção. E caso você entre numa loja de fudge perto do centro, não se surpreenda se uma das funcionárias te receber cantando como se fosse Billie Holiday enquanto te apresenta os sabores disponíveis - isso me arrepiou.

Em algum lugar do French Quarter você vai se deparar com uma loja de vampiros. "A única loja de vampiros do mundo", a atendente de cabelos vermelhos vai dizer. Uma dica? Tente fingir levar a sério a coisa toda. A maneira como ela conta a história de cada item que nos salta os olhos na loja me faz pensar que ela realmente acredita que eles estão entre nós.

E talvez estejam. Será? New Orleans é conhecida por suas macabras histórias. Fãs de série como eu vão ser influenciados por The Originals e se sentir no meio da coisa toda, esperando Klaus aparecer com seu charmoso sotaque britânico. Spoiler: Ele não aparece. Mas é interessante passar na frente de todos esses lugares, palco de tantos horrores e superstições ligadas à pessoas desaparecidas e mortas no decorrer do tempo. Fantasmas, vampiros, Delphine LaLaurie e sua casa de horrores - assista American Horror Story: Coven - tem de tudo um pouco.

Os restaurantes escondidos nos lugares improváveis do French Quarter dão uma sensação de mergulho no passado. A comida é fantástica, e talvez você se sinta tentado a experimentar o tal drink "Hurricane", e talvez você faça isso no brunch - isso aí, às 11h da manhã - e mais tarde, enquanto curte mais jazz no barco a vapor que veleja pelo Rio Mississipi. E existe uma pequena chance de você tentar forçar a sua mente a se lembrar de alguma canção sobre o Mississipi - eu mesma não consegui.

Eu sempre vou me lembrar dessa viagem. Das longas caminhadas, dos passeios nos bondinhos, da música ao vivo na Bourbon Street. Eu vou lembrar quando olhar para o souvenir do cara tocando trompete na minha estante, quando lembrar da foto polaroid que dei pra minha amiga depois do Ghost Tour por achar que tinha um fantasma nela, e quando olhar pra tatuagem no meu braço - resultado de um de meus raros momentos sendo espontânea.

Mas vou me lembrar principalmente das pessoas.

Vou lembrar da Nadine, a especialista no Yelp e em drinks com muito gelo, da Ninian que me zuou porque eu não conseguia falar "Pigeons" direito, do Samuel, o garçom que não soube dividir nossa conta, mas que foi adorável e nos rendeu boas risadas, da mulher da loja dos vampiros e do australiano com cara de irlandês que dividiu quarto com a gente no hostel - mas esse último só porque era um colírio pros olhos.


Nenhum comentário: