Eu não tenho dúvidas de que "500 dias com ela" está no topo da minha lista de filmes favoritos. E embora a história de Tom e Summer não seja necessariamente uma história de amor previsível como todas as que estamos habituados a ver, o filme traz um nível de profundidade que nos faz querer dissecar cada detalhe da nossa própria maneira de se relacionar.
Admito que levei um tempo pra entender sua real interpretação - eu diria alguns anos. E quando finalmente entendi, foi como se meus olhos fossem abertos para coisinhas em mim mesma que eu insistia em continuar ignorando.
Minha raiva pela protagonista Summer era óbvia demais: como alguém podia desprezar um ser tão apaixonado e dedicado como Tom - especialmente quando ele é interpretado por Joseph Gordon-Levitt?
Mas olhando para a minha própria vida, acredito que entendo de onde vem a ruína que inicia o fim de todo relacionamento. Talvez o primeiro erro seja simplesmente esperar que alguém te complete quando você ainda está buscando entender a si mesmo. O problema desta perspectiva é que em algum ponto a gente compreende que o outro tem que estar ali mais pra complementar do que pra preencher.
Tom, por exemplo, tinha ideais românticos dignos de um perfeito cavalheiro formado por comédias românticas. Já Summer era independente demais pra se prender a este limitado mundo de faz-de-conta em que o papel dela era o de tornar o protagonista feliz. De seu jeito ela buscava a sua própria felicidade.
O filme é de 2009. Talvez não estivéssemos acostumados o suficiente com a ideia de um romance em que o protagonista não consegue o que quer. Talvez isso fosse ir muito aquém do que esperávamos baseados em nosso histórico de clássicos românticos formado por "Diário de uma paixão" e "Uma linda mulher".
E foi isso que me fez detestar Summer. Eu não entendia o seu ponto de vista. A sua espontaneidade e honestidade me parecia mais um charme pretensioso do que, sei lá, seu real estado de espírito. O seu ideal de liberdade passava longe do que eu acreditava. Era quase como eu estivesse convencida que o bom da vida era encontrar alguém que te faça feliz e isso já basta. Summer era uma louca.
E eu? Eu era um Tom perambulando pela vida esperando que o afeto que dei fosse me dado de volta, como que por direito. Como uma dívida que devia ser paga devido à minha dedicação e comprometimento.
Se tem uma coisa que aprendi na marra com o passar dos anos é que isso é uma ilusão. Ninguém nos deve nada porque nos deu amor e afeto. Não dá pra pular etapas só porque temos dificuldade em encontrar satisfação primeiramente em nossa própria companhia.
Enquanto achava que Summer era a egoísta da história, percebi que a egoísta fui eu, egoísta foi o Tom, por esperar demais de alguém que estava em sua própria jornada buscando respostas pra si mesmo antes de compartilhar uma vida com outra pessoa.
A verdade é que ninguém é majoritariamente responsável pela felicidade do outro. A responsabilidade da nossa felicidade começa na gente e o amor se estende para os outros na medida em que deixamos ele crescer dentro de nós ao ponto de ser compartilhado. Não tem a ver apenas com o que eu acho ou o que eu sinto.
É uma decisão: buscar primeiro em mim aquilo que me sinto impelida a exigir do outro. Amor-próprio. E isso Summer nos ensinou muito bem.

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