domingo, 8 de abril de 2012

Monólogo sobre o amor e a maturidade




  Eis alguns fatos: Eu cansei de esperar o amor. Cansei de esperar pela felicidade e de imaginá-la num dia de outono com um lindo moreno de olhos azuis e sorriso sedutor. Esses pensamentos agora fazem parte de um passado remoto. Aquela mente fértil e ingênua sumiu, não definitivamente, afinal ainda posso ler o que ela me transmitia desde os meus 14 anos.
  Algo maduro e autossuficiente tomou conta de meu subconsciente. Agora, promessas não passam de palavras que são quebradas mais facilmente do que deveriam, os homens que aparecem na minha vida ainda são, na verdade, meninos. As músicas sobre estar apaixonado ou revoltado não passam de melodramas adolescentes fúteis que serão esquecidos dali a um mês.
  Meu romantismo agora resume-se aos contos, crônicas e comédias românticas – que insistem em dar as caras quando o mundo está desinteressante demais para mim. Não aceito mais nada pela metade. Se for para fazer algo, que tal fazer direito? O constrangimento não é nada quando há algo mais importante além dele.
  Não me contentarei mais em ser a segunda opção – nem a terceira, quarta, quinta ou vigésima.   Descobri algo mágico chamado autoestima, que me abriu um caminho de possibilidades incríveis que me levaram ao amor-próprio.
  Ser gentil não significa estar afim, assim como ser rude não significa ser metida. Porém, se sou, o que há de mais nisso? Descobri com uma grande amiga que ser metida não envolve necessariamente sentir-me melhor do que todo mundo, mas sim gostar e acreditar em si mesma.
  Nunca sofri de grandes desilusões, e não me acho imune a elas – embora um alarme soe escandalosamente em minha cabeça todas as vezes em que detecta alguma furada. Há algo de mais inteligente em não agir por impulsividade. Será mesmo que alguns momentos de prazer valem uma consciência suja ou pesadas lágrimas sob o tapete do quarto?
  O amor é um estado sublime de felicidade que não se força ou se procura. Ele te acha, ele acontece. O caminho mais fácil e mais prazeroso é justamente aquele que nos levará à ruína através de suas promessas de amor verdadeiro. Livre-se dele, desvie.
  Ao contrário do que pensam, amor e razão andam lado a lado. O que nos cega é a paixão, volúvel demais para os corações frágeis e também para os fortes.
  Aprendi da forma fácil. Não fui magoada ou traída, não morri de amores por alguém. Na verdade, vi pessoas serem magoadas e agarrarem-se a algo que só aparentava ser definitivo. Ou seja, aprendi com os erros dos outros. Tirei proveito dos conselhos e experiências daqueles que um dia sofreram mais do que gostariam apenas por um falso “Eu te amo”.
  Não me tornei fria ou dissimulada. Tomei apenas a decisão mais sensata e inteligente: não entreguei meu coração para quem teria prazer em destruí-lo.

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