segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aquelas palavras não ditas


 Eu estava ali dançando diante do mar, fugindo da maré aos pulos e escrevendo meu nome na areia como toda criança de 8 anos faz quando vai à praia. Eu me senti livre. Eu nem sabia mais o que significava "ter problemas". Tudo bem, eu sabia, só havia esquecido, e não estava ligando a mínima com o fato de ter que lembrar na manhã seguinte.
 Naquele momento era somente eu, o mar, a areia, Norah Jones tocando nos auto-falantes da festa na beirada da praia e...Você.
 Tinha que estar em todas, não é? Tudo o que eu fazia por dias era me divertir e fazer com que a sua lembrança fugisse da minha mente. Funcionava perfeitamente pra mim. Eu não ficava chateada quando não me mandava mensagens, eu não me sentia mediana porque você disse isso no meio de uma brincadeira e eu sequer lembrava o motivo de ter gostado tanto de você.
 Gostaria de culpar Norah Jones com sua melodia lenta de romance de verão, mas nunca permiti que nós tivéssemos uma trilha sonora ou algo assim. Eu me recusava a odiar qualquer música boa só por ela me fazer lembrar algo que já foi bom e que depois apenas feriu. Não que você tenha chegado ao estado do "ferir" - sorte a sua - só pra constar.
 Mas eu quis mesmo ter você ali me dando beijos no pescoço, observando o mar e fugindo da maré junto comigo. Eu quis dançar aquela música de amor de verão enquanto dava risada dos seus movimentos nada atraentes aos olhos das pessoas normais - e lembrar que então eu não devia mesmo ser normal.
 Quando voltei e caí na real, eu estava diante da minha vida rotineira aonde eu me divertia e vivia muito bem sem você e suas raras mensagens que faziam parecer que você sentia minha falta. E me recusei a lembrar os tais motivos que me faziam ver um alguém diferente em você. Porque não parecia justo comigo gostar de alguém que tinha o mesmo ponto defeituoso que eu tinha: o orgulho. Eu ainda aprendo dia após dia. Dar o braço a torcer quando se trata de sentimentos não têm sido inaceitável como costumava ser antes, é apenas moderado - o que já está de bom tamanho.
 E você aí sempre tão...Misterioso. Odiaria ter que sentir como se fosse ter um troço se não soubesse o que se passa pela sua cabeça. Odiaria depender deste sentimento e me prender à uma incógnita que não parece ter solução. Eu me odiei quando estava prestes a fazer isso, sei do que estou falando.
 Alguma coisa me puxou de volta. Sou eu e meu medo de me apegar andando juntos novamente. Hora ou outra é inevitável pensar no que poderíamos nos tornar juntos, mas meu coração deve ter aprendido aquela valiosa lição de não se apaixonar por alguém só para preencher as lacunas misteriosas que permanecem sem resposta.
 A resposta pode muito bem estar em outras direções. Precisei me desvincilhar de você para vivê-las. Não é tão poético quanto o que seríamos em minha cabeça, mas é real e satisfatório, ao invés de um jogo pra saber quem diz o que sente primeiro.


2 comentários:

Anônimo disse...

Menina que texto LINDO. ameiii. "Hora ou outra é inevitável pensar no que poderíamos nos tornar juntos, mas meu coração deve ter aprendido aquela valiosa lição de não se apaixonar por alguém só para preencher as lacunas misteriosas que permanecem sem resposta." TÃO EUUUU ISSO.

Parabéns.

http://www.be-liieve.blogspot.com

soares disse...

Boaa moita! Curti o texto ^^