terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Like a fool



Sabe, não importa quantas experiências eu tenha com relacionamentos, eu continuo como uma principiante. Minha consciência me diz que tenho medo de me entregar e que fico inventando motivos para fugir do imaginário romântico que é estar com alguém.
Quero sempre convencer a mim mesma de que há coisas mais importantes a se fazer. Há pessoas pra conhecer, coisas a estudar e lugares para descobrir.
As paixonites tendem a me limitar.
Imagino que seria muito mais fácil ser como os outros, que criam uma vida baseada no sentir. Já diziam por aí que a ignorância pode ser uma benção.
Mas cá estou eu, na frente desta tela iluminada, no meio de meu quarto escurecido, ansiando para que as palavras saiam da forma mais natural e honesta possível. Este som das teclas é como música para os meus ouvidos... É como ouvir Frank Sinatra em um dia de chuva.
E mesmo assim o coração aperta. Quer trabalhar sozinho, pedir as contas. Diz que cansou de trabalhar com minha razão... Diz que ela me põe amarras, que eu não sei o que é aproveitar a vida. Meu coração poderia me ensinar, poderia cuidar de tudo. Ele me mostraria este mundo cheio de coisas tentadoras e emocionantes. Cheio de momentos.
Viva o momento! Sinta o momento! - ele diria.
"Seja escrava dos momentos" - eu ouviria - "Não construa nada pra si, algum dia tudo acabará".
Honestamente, eu não acredito nesses discursos em que o coração deve mandar. O coração pode ser mimado e desenfreado em sua incessante busca pela parte que lhe falta.
Mas eis uma verdade: eu sei o que me faltava, e esta parte aqui dentro está perfeitamente preenchida, obrigada.
O aperto que sinto agora é incômodo, admito, porém passageiro. Em algum momento eu acordarei e me sentirei livre das lembranças e do passado. E por aquilo que eu só posso encarar como um milagre, a esperança que tenho é muito maior do que as memórias de um romance que não passava de um turbilhão de palavras bonitas e mascaradas.
Ninguém estava fingindo, eu sei. Mas vamos admitir, somos muito bons em nos enganar.


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