quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Se joga!


Eu queria a vida adulta.

Eu queria muito a vida adulta.

Eu via aquelas mulheres independentes em seus terninhos sofisticados, suas taças de champanhe e suas viagens sazonais, seus amores internacionais, seus cargos importantes, suas vidas agitadas, suas opiniões fortes e aquele sofisticado gosto para vinhos... e eu queria ser como elas.

Queria sua destreza para andar de salto alto e sua disposição de acordar às 6 da manhã para fazer yoga.

Daí eu cresci e comecei a usar meus terninhos com calça jeans e tênis, até fiz faculdade mas já nem ligava mais se meu cargo seria ou não muito importante. Eu até me atrevi a viajar vez ou outra, mas admito que minha rotina adormeceu meus sentidos por tempo demais até eu planejar a próxima viagem.

Vinho? Nunca nem experimentei, apesar de ainda achar chique. Opinião forte até tenho, mas a gente aprende a filtrar uma coisa ou outra pra não causar polêmicas desnecessárias.

A essa altura da minha vida, achei que seria mais poética. E a gente até tenta, mas poetizar tudo e todos pode ser um trabalho cansativo e frustrante. Mas em raras ocasiões, já poetizaram meus momentos. Me lembro de um ou outro em que conseguiram tirar meu fôlego, e essas lembranças me fazem perceber que até aqui a vida tem valido a pena.

Não dá pra garantir que já entrei de cabeça na vida adulta. Eu até tenho meus boletos pra pagar, minhas compras de supermercado pra fazer e meus dramas de trabalho pra lidar, mas existe uma verdade universal que se baseia no seguinte:

Quando a gente é adulto, a gente não quer mais ser adulto.

Mas não tem crise: Bota um Coldplay pra tocar, sai por aí como se nunca tivesse se sentido mais pleno como agora, faça planos locais, internacionais, sazonais... Se apaixone por aquele ser que ri das suas piadas e te beija de forma inesperada.

Faça rimas, dance, viaje, conheça pessoas diferentes, crie um blog! Que seja!

Mas por favor, viva.

É a viagem mais louca dessa vida.




Nenhum comentário: