São dias estranhos.
O passado bate á porta e nem pergunta se pode entrar. Ele só vem.
A gente faz o quê? Segue o baile, se joga, fica meio idiota, cai na real, e lá se vai mais um ciclo.
Mas ás vezes o passado capricha: traz de volta aquele sorriso de covinhas que tanto me irritava no auge da minha juventude desregrada.
A gente se reencontra no metrô, por acaso, numa tarde de segunda-feira. Pra falar a verdade, ele não mudou nada. O olhar misterioso, o sorriso cativante, a cara de bom moço - mas eu o conheço bem demais pra acreditar nela.
Em 15 minutos nós relembramos de todas aquelas loucuras de outros tempos. E deste novo ponto de vista, elas parecem tão distantes agora que é quase como se só tivessem acontecido na nossa cabeça.
É difícil não se perguntar porque é que nunca demos certo. Será por seu orgulho bobo ou por minha teimosia impetuosa?
Não sei dizer. No final das contas a gente era mesmo meio parecido.
O passado ainda me desafiava, mesmo após anos sem me ver. Ele ainda lembrava daquele apelido brega que usava só pra me irritar e não tinha medo dos gestos que costumavam me provocar. Ele ainda sabia meus pontos fracos, lembrava dos meus sonhos loucos e das minhas referências sofisticadas.
Ele ainda me reconhecia.
Gosto de pensar que nós nunca fomos um rótulo um para o outro. Éramos só dois amigos que não tinham medo de se desagradar. Sei que parece besteira, mas era o que eu mais gostava na gente. E tinha a química, claro.
Eu sei, muita gente já passou na nossa vida depois de todos estes anos. Mas é ligeiramente emocionante saber que algumas pessoas ainda têm essa capacidade de se tornarem marcantes a ponto de permanecerem em nossos corações mesmo depois de tantos trancos e barrancos, como dizem por aí.
Não sei se a gente foi verso, prosa ou poesia. Mas minha segunda-feira foi mais feliz depois de você.
Obrigada.

Um comentário:
No azo dá-se o fado de acaso disfarçado.
GK
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