Talvez não haja nada
mais complicado do que encontrar o sentido de nossas vidas. As respostas
parecem espalhar-se tumultuadamente por todos os lados e acabamos inserindo-as
em nosso dia-a-dia como dilemas a serem resolvidos ou desacreditados.
Ingênuos demais em certas fases da vida,
deixamos o tempo passar esperando que o sentido de tudo venha naturalmente.
Logo depois, com a espera agonizante, passamos a correr atrás dele, como se ele
realmente precisasse ser encontrado. Por algum motivo não conseguimos enxergar
que se realmente existe um sentido, ele está diante de nossos olhos.
Passo a acreditar que tem algo a ver com
nossas lutas diárias. Dias felizes ou normais temos aos montes, assim como os
dias estressantes, repletos de desafios e barreiras que dão frio no estômago.
Ás vezes até mesmo os dias normais são assim.
A vida ganha algum sentido todas as vezes que
decidimos levantar da cama, paramos de sentir pena de nós mesmos e damos as
caras para o que quer que apareça pela frente. Não é que o medo vai embora, na
verdade, ele continua dentro de nós como um falso aviso de “Vai dar merda!”. E
esse aviso permanece piscando e nos cutucando como uma criança que quer sorvete,
até que em algum momento o enfrentemos.
O que não significa
que não haverá efeitos colaterais. As coisas realmente podem dar em merda,
talvez piorarem. O que me faz apoiar a ideia de enfrentá-los é o simples fato
de que mesmo sendo infinitamente pior, ele sempre será um gesto incrivelmente
maior, mais inteligente, mais maduro. Ele nos leva a situações que podem ser
difíceis de acreditar, e tudo de alguma forma acaba dando certo. Ou começa a dar certo.
Stanley Kubrick dizia que a falta de sentido
da vida obriga o homem a criar o seu próprio significado. Olhando ao redor fica
claro que o fizemos muito bem. As lutas são o caminho que escolhemos seguir
para não nos sentirmos apenas um grão de pó na galáxia. Ao desviarmos desse
caminho, escolhemos apenas existir. E sabe aquele poder de criar o próprio
sentido? Ele desaparece, como se o impossível realmente fosse possível.
O único motivo pelo qual não tentarei
coagi-los a seguir esta filosofia é devido à simples fatalidade de que, de
alguma forma ou outra, no fundo de sua consciência, em algum momento na sua
vida, você vai se encontrar em situações assim, onde sua única alternativa será
ser forte. E haverá uma boa chance de o resultado ser revertido em lições que
trazem à tona maturidade e experiência.
Procurar por um sentido na vida é inútil. Nós
os construímos durante toda nossa trajetória. Ele está em cada objetivo a ser
conquistado, em cada suspiro apaixonado, em cada sentimento de proteção e afeto
que nos atinge. Está nos rodeando, mas não quer ser visto, quer ser vivido. Não
quer ser tocado, mas permanecerá ali, para no final sempre ser lembrado.

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