sábado, 19 de janeiro de 2013

À criança interior


 Oi. Tudo bom? Você deve me conhecer. Pff, é claro que me conhece. Eu meio que sou você com 19 anos, beirando aos 20. Estou escrevendo porque por algum motivo sinto que lhe devo muitas explicações sobre as coisas que faço e que sinto.
 Lembra daquela fantasia de crescer e ser quem você sempre desejou? Parabéns, estamos no caminho certo. No futuro você tem um gosto melhor para se vestir, uma língua afiada para se defender e um corte de cabelo mais bonito.
 Eu sei que as coisas não foram fáceis, mas ser totalmente o inverso das pessoas que tanto te enchem o saco é uma coisa boa, muito boa. Esteve certa em não fantasiar com os caras perfeitos, e ao invés disso pensar numa carreira em que você detonasse. Bem, sobre isso, ainda estamos resolvendo.
 Mas devo admitir que certas coisas não lhe trariam orgulho. Alguns de nossos princípios já foram ignorados por pura besteira e acabei sendo muito idiota ás vezes. Ainda faço isso de vez em quando, mas consigo me perdoar mais facilmente. Pois é, não acumulamos mais culpa como costumávamos fazer.
 Ainda não achei um cara perfeito. Sabe como é, o mercado está em baixa. São muitos produtos em liquidação, não há muitas novidades, apenas uma parcela decepcionante de homens que não se importam mais com o romance, sentimento ou cavalheirismo. Aliás, sinto lhe informar, mas caras perfeitos não existem! Pois é. Foi melhor mesmo deixar o romantismo para os livros e o cinema. Mas ainda é tentador.
 Em algum momento você vai perceber que o melhor que pode deixar entrar em sua vida é alguém diferente de você. E é bem possível que vocês briguem muito, façam as pazes e briguem de novo por besteiras. Vai perceber a ironia da coisa toda logo que sentir que não pode mais viver sem ele, ou conviver com seu silêncio.
 Algumas atitudes serão movidas por pura carência social, então não se martirize tanto se ligar marcando um encontro com alguém que não está apto para ocupar o posto de namorado. É normal. Ás vezes basta um bom livro, um beijo descompromissado, uma conversa cheia de risadas ou um pôr do sol na praia. Deixe os dramas desnecessários pra lá.
 Aprenda a diferenciar felicidade a prazer. Mesmo que não pareça, são coisas distintas. O prazer compõe parte da felicidade, mas não tudo.
 E só não esqueça do que realmente importa. É muito fácil se deixar levar pelas tentações do mundo, mas elas nunca serão capazes de preencher qualquer vazio que possa haver dentro de você.
 Então, por favor, continue sonhando, imaginando, criando e batalhando pelo o que te faz feliz.
 E o mais importante,  não leve a vida tão sério...Sério! Isso vai acabar te deixando maluca.

                                                                                                      Com amor, VOCÊ.





 Daniela Souza tem quase 20 anos de idade e não abre mão de sua criança interior. Na verdade, adoraria voltar ao tempo em que passava as manhãs assistindo à "Turma do Charlie Brown" e "Looney Tunes".


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