sábado, 5 de janeiro de 2013
E ríamos, ríamos e ríamos
"Eu sou uma piadista", pensei ao levantar pela manhã. Perdi horas de sono à noite pensando nas mesmas coisas inúteis de sempre e assistindo à filmes mentirosos sobre como as pessoas arriscam tudo pelo "provável" amor verdadeiro. Então, concluí que o motivo de este tipo de coisa não acontecer comigo é simplesmente porque sou uma piadista.
Não daquele tipo Ari Toledo. Em questão de piadas em si, estou mais para "A Praça é Nossa", sempre tentando explicar a piada logo depois de ver a expressão confusa nos rostos de meus amigos. Além do fato de eu não saber como contar uma piada.
Mas entendam: eu não consigo levar coisas a sério por muito tempo. Se participo de uma conversa sem demonstrar sarcasmo ou soltar as tais piadinhas ruins é porque o bicho tá pegando! Quando o assunto é relacionamento, então, sou uma megera destruidora de ilusões e quebradora de climas.
As pessoas passam por situações absurdas por causa deste tal "amor verdadeiro". Apesar de passar madrugadas assistindo à comédias românticas e desejando secretamente ter uma vida tão bacana, é extremamente difícil para mim aceitar as crises do "verdadeiro amor" na vida real. Por isso mesmo é inevitável não soar como uma chata feminista quando de minha boca saem conselhos como: "Ah, manda ele ir se fud*r!", "Ah ta, melhor amiga, amiga? Esse cara tá pegando ela! Se liga" ou o clássico esmagador de corações: "Deixa de ser troxa!".
Não duvido que isto deve ser o efeito colateral de uma vida sem um relacionamento duradouro o bastante para ser considerado amor - lê-se "encalhada a tempo demais" - mas se me perguntarem, eu nego! Quem precisa de maturidade amorosa aos 19 anos de idade? Honey, please!
Só que a grande ironia de pessoas como eu reside no fato de, mesmo não levando absolutamente nada disso a sério e tentando sempre acrescentar um toque de humor às mais épicas situações de constrangimento e fracassos amorosos, nós temos curiosidade de saber como é estar nesta novela em que nossas amigas se apoiam - o que é muito imbecil, considerando que na maior parte das vezes temos vontade de socá-las com seus draminhas desnecessários de adolescente que perdeu a virgindade e encontrou a razão de seu viver.
Começo a acreditar - e honestamente não quero acreditar - que a maioria das pessoas são muito sérias, metódicas e chatas (certo, também sou um pouco metódica). "Namorar sério", por exemplo, soa como um contrato:
"Ei, você não pega mais ninguém e eu também não. Andaremos de mãos dadas, você me apresentará aos seus pais e mudará seu status no Facebook, além de postar mensagens românticas em meu mural ao menos três vezes por semana. E faça o favor de parecer cair de amores por mim. É sério!".
Não que eu não ache esta vida "tentadora", uh la la, eu acho. Mas eu não consigo evitar, não quero uma paixão metódica. Porque, apesar de saber que Hollywood está mentindo, ainda quero beijar embaixo da chuva, quero um cara que atravesse o mundo por mim, que diga assistir "Diário de uma Paixão" porque sabe que aquilo deveria ser o certo, que levante os braços em sinal de vitória por ter me ganhado, como John Bender em "Clube dos Cinco". E eu adoraria um apaixonado tão dedicado como Joseph Gordon-Levitt em "500 dias com ela".
Só que nada disso vai acontecer. E eu vou continuar assistindo, escrevendo, sonhando e fazendo piada dos dramas alheios. Sei que continuando assim estarei destinada à essa vida de comediante que explica suas piadas, mas vai ver o destino decida ser generoso e perceba que, no fundo, eu devo merecer um romance cinematográfico. Ou um cara legal, o que já está de bom tamanho.
Especialmente se for Joseph Gordon-Levitt.
Só que não.
Realidade é um porre.
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