domingo, 1 de setembro de 2013
O que te inspira?
Alguém veio me perguntar: "O quê que te inspira?". Naquele tom presunçoso que às vezes me pego soltando, respondi: "A realidade, dãa". Não é que eu estava mentindo. Na hora, pareceu uma boa resposta. "Realista", eu diria.
Não sei porquê sempre gostei de me autodenominar uma pessoa "Realista". Acho que gosto da palavra, soa como algo importante, faz parecer que o título cai bem. "Fulana é realista", ouvia as pessoas dizerem e achava o máximo, então decidi que um dia faria jus à isso. Eu sei, quando crianças nos admiramos com cada coisa!
Queria que alguém tivesse me dito que ser realista o tempo todo não é bem algo digno de admiração. Ás vezes é bom adotar um meio termo. Por sorte, minha tendência a passar parte do tempo imaginando situações e diálogos me livrou de me apegar à esta realidade exacerbada.
Graças à minha maluquice de viver entre o real e o imaginário, fui capaz de tomar atitudes que moldaram situações e me trouxeram oportunidades maravilhosas. Isso porque viver de realidade o tempo todo leva à inércia. Se enxergarmos o mundo apenas com estes olhos, veremos que ele é, em sua maior parte, cinza. O que dá cores à ele é o imaginário, são as mais loucas ideias que um dia ousaram contrariar um mundo que vivia no preto e branco.
A luz das ideias é colorida, por assim dizer. Ela dá a impressão de liberdade.
Hoje me peguei pensando no que me inspirava. Qual é a razão pra me ver diante desta caixa de textos escrevendo sobre a primeira coisa que me vêm a cabeça? Será mesmo a realidade? É só isso que eu tenho a oferecer?
Meu objetivo como escritora é, antes de mais nada, transportar as pessoas para outros patamares. É sair desta caixa de responsabilidades e deveres a serem cumpridos, é sentir a liberdade, especialmente a liberdade de criar. É não ter que explicar porque eu devia me inspirar, é não ver obrigação nas palavras, é escrever com o coração. Eu estou aqui descarregando os sentimentos e as ideias que não consigo depositar na minha realidade. São as palavras que eu não consigo dizer em voz alta. Minhas verdades e ilusões estão aqui, à mostra. E isso, de certa forma, me liberta.
Então, na próxima vez que me perguntarem o quê, de fato, me inspira, responderei com um sorriso: a liberdade... A liberdade é a minha musa.
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