sábado, 13 de abril de 2013

Desencanar


 Eu odiei quando a gente terminou. Principalmente porque não houveram palavras de término. Por piores que elas possam ser, nos tiram as dúvidas tortuosas e dão um ponto final a tudo. Quando se trata de acabar algo assim, bem, eu sempre irei preferir palavras à atitudes.
 Atitudes que magoam são piores que frases. O que falamos nem sempre condiz com o que sentimos. Você deu as costas e se mandou. Legal, um idiota a menos na minha vida. Infelizmente demorou pra perceber. Algumas pessoas levam muito mais tempo, mas eu levei apenas algumas semanas. Semanas que pareceram meses. E foi ridículo.
 Toda aquela fossa romântica com coração partido já sumiu. Olho pra você, para as suas mensagens e não sinto mais nada. Eu nem sequer consigo imaginar nós dois juntos, como antes. As lembranças não fazem meu coração pular mais forte, eu não lembro de você quando ouço certas músicas e não quero te ligar quando sei que estamos mais próximos, geograficamente falando.
 Você diz que sente minha falta e eu respondo sem emoção, sem ligar. É a melhor sensação do mundo...Ser eu de novo, sabe?
 Me livrei finalmente da visão limitada que desenvolvi em meu período de apaixonadinha. Agora eu saio por aí conhecendo gente interessante, conversando sobre tudo, dando risada, sendo aquela mesma pessoa que você conheceu - e perdeu! Percebo o mundo e as pessoas em toda sua dimensão. Saio da rotina desesperadora do tédio e descubro novos mundos, novas formas de pensar.
 Me sobram palavras a serem ditas, histórias a serem contadas, sorrisos, beijos e abraços a serem distribuídos. E tudo porque percebi depois de todo esse tempo que seu sorriso não chegou a iluminar meu mundo, e que suas atitudes estão melhores agora enquanto passivas - irônico, pois sempre foram.
 Romanticamente, você fora do meu mundo me faz bem. Obrigada, e não volte. A não ser que queira dar um alô. Apertaremos as mãos e seguiremos em frente, pois em meu novo mundo não existe mais espaço para sua permanência à longo prazo.
 Cuide-se!

domingo, 7 de abril de 2013

Esquisitice, nosso poder de cada dia



 Já disseram uma vez que mulher é bicho estranho. A frase pegou tão bem que nós, as próprias, maravilhosas e estranhíssimas, começamos a refletir nossa própria estranheza. Longe de querer dar soluções ou respostas a respeito de nossos pitis momentâneos, é claro. Afinal, nos justificamos muito bem com a tpm.   Mas parando pra pensar um pouco mais nisso, algumas coisas parecem ficar mais claras.
 Parece que fomos programadas para conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, do mesmo modo que nosso coração foi feito para cicatrizar mais rápido do que o dos homens. Na prática, a coisa demora mais. Se alguém parte nosso coração, passamos semanas nos martirizando sobre nossos possíveis erros e acertos. Infelizmente, algumas de nós adoram se culpar pelos fins dos relacionamentos - o que faz a ressaca de amor durar um pouco mais.
 Ainda sim, quando nos recuperamos fazemos isso quase por completo. A força do "Girl Power" sempre acaba aparecendo em algum momento entre os soluços na madrugada e os novos flertes que surgem com o passar dos dias.
 Temos esse poder maravilhoso de dar a volta por cima sem precisar de muito. Basta, na verdade, amor próprio. É clichê, mas também é fato consumado que quando estamos de bem com nós mesmas a vida tende a ser mais charmosa, interessante e excitante.
 Conhecer alguém que tem a coragem de nos tirar isso nos deixa mal, mas não é o fim do mundo. Essa dor toda vai nos empurrar pra frente, daí na próxima vez você vai parar pra pensar melhor quando aquele carinha novo demonstrar sinais de babaquice. Porque toda mulher, querendo ou não, algum dia torna-se perita em idiotas. Cabe a nós aceitar isso como um dom utilitário ou apenas aceitar os idiotas.
 O fato é que uma mulher, quando gosta de si mesma, vai desejar e correr atrás do que é melhor pra ela. Nada me irrita mais do que pessoas que se contentam com o pouco porque não acreditam merecer o melhor. O melhor emprego, o melhor namorado, os melhores amigos.
 Perdi as contas de quantas vezes fui chamada de esnobe por pensar dessa maneira. E olha que nem sou do tipo que anda por aí com o nariz arrebitado, me sentindo melhor do que todo mundo. Veja bem, não é ser melhor que os outros, é acreditar ser merecedora das coisas ótimas.
 Se é pra acordar todos os dias, enfrentar os demônios diários que lutam para acabar com nossa paz e arriscar sair de nossa zona de conforto, poxa! Nada mais justo eu não me contentar com qualquer coisa.
 Sou adepta à objetividade e, principalmente, à simplicidade. O que proponho aqui não é um exercício de narcisismo, mas sim uma transformação na maneira como pensamos e enxergamos nós mesmas. Dizem que somos bichos esquisitos não só porque sangramos todo mês, como diria Rita Lee.
 Nossa esquisitice vem da arte de ser mulher: de passar por cima dos preconceitos, de surpreender, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, de poder cicatrizar as feridas de nossos corações, de acreditar em nosso "Girl Power" e ser capaz de fazer os outros acreditarem nele também. E é por isso mesmo que essa historinha de "sexo frágil" nunca vai colar com a gente.
 Mulher poderosa não é frágil, é simplesmente...Poderosa.

domingo, 31 de março de 2013

It hurts a lot, man!

 Não pensei que isso fosse doer, nem que fosse demorar pra ser esquecido. De tanto achar que este tipo de sentimento é uma perda de tempo, acabei semeando algo do tipo com relação à você. E quer saber? Não valeu a pena. Adoraria dizer que me ensinou algo e que ao menos agora posso seguir em frente tendo certeza de que não cometerei os mesmos erros de novo. Isso funciona melhor nos livros, nos filmes e nos seriados que adoro, mas a vida é diferente.
 O que você fez foi despertar algo muito bom, me familiarizar com isso e logo depois arrancar de minhas mãos, como se eu não merecesse isso. E vou te contar viu: deixou marcas. Malditas marcas!
 Eu nem sei porque diabos cheguei a gostar de você. Me deixei iludir pela parte bonita de nossa história e esqueci de todo o resto. Eu arrisquei ARRISCAR por você. Ridicularizei meu orgulho e minha racionalidade com a tola e ingênua esperança de que nós acabássemos dando certo.
 Só que você fez o que disse que não faria: esqueceu. Pior do que isso, se deixou levar pelos malditos estereótipos que todos impõe e me esqueceu. Eu fui nada enquanto você foi uma metade - o que é muito, se quer saber.
 E mesmo tendo toda essa raiva guardada, continuo sentindo sua falta. E isso é tão consumidor que seguir em frente sem você é o mesmo que desistir e, poxa, eu não queria desistir de você, mesmo tentando com todas as forças...

terça-feira, 5 de março de 2013

Sentido contrário


 Hoje fui no sentido contrário ao que costumo ir para sair da estação. Pensei comigo mesma que aquilo me incomodava. Eu devia temer algo insignificante, que nem mesmo sei o que é.
 Não doeu fazer isso. Ao contrário de acontecimentos dos últimos tempos, que me levaram aos pensamentos reflexivos durante meu trajeto de volta pra casa depois de um exaustivo dia.
 Sentimentos absurdos tomaram conta do meu ser na última semana, e acabei me deixando levar. Pensava merecer um pouco de auto-piedade, mesmo ciente de que aquilo não me levaria a lugar algum. Alguma hora eu teria que erguer a cabeça e seguir em frente. No passado isso era mais simples, e ao mesmo tempo complicado. Digamos que eu tinha força e motivação para seguir em frente, mas olhava para os lados em dúvida do caminho que devia seguir. Quer dizer, haviam tantos!
 Eram atalhos e mais atalhos para, o que hoje percebo, lugar nenhum. Só que era mais fácil, mais confortável, menos humilhante e menos assustador. E eu os escolhia. Erro após erro, eu continuava escolhendo-os, como se não soubesse que o caminho certo estava bem na minha frente, com uma seta luminosa apontando pra ele.
 Era medo? Sem dúvidas. Medo de crescer e aparecer. Dar a cara à tapa pra vida não me parecia uma boa ideia. Coisas incríveis acontecem com pessoas especiais, por que eu seria uma delas?
 Eis a desculpa perfeita, e novamente a auto-piedade.
 Só que as coisas mudam, e isso leva um tempo. Querendo ou não, um dia a vida acaba com a gente, esmigalha nosso orgulho, às vezes nosso coração, e dói. Dói pra caramba! Ouvimos sobre essa dor, mas nunca acreditamos que algum dia chegaremos a senti-la - especialmente se prefere se manter na zona de conforto por um longo tempo. E quando a gente sente é indescritível. Só Deus sabe, e nossos pensamentos não passam de testemunhas apavoradas.
 Mas tenho uma boa notícia: isso passa. Por mais cicatrizes que aquela dor nos deixa, ela não pode ser forte o bastante para nos prender ao medo. Alguma hora sentimos a necessidade de sair da zona de conforto. O cômodo torna-se incômodo muito fácil, e o medo não some, só é ultrapassado.
 Ainda sim, não sou fã do frio na barriga ou das noites de insônia causadas pela ansiedade. Só que isso muda a gente, e mudar é, provavelmente, uma das maiores vantagens do ser humano. Só fica estagnado quem quer, porque as mudanças são benéficas, assustadoras, mas ao mesmo tempo empolgantes. Poder abrir e visualizar o leque de opções diante de nossos rostos, antes tão cansados e abatido pelas lutas diárias, é uma dádiva.
 Passei a ignorar os atalhos e optei por aquele caminho à minha frente, com a tal seta luminosa adiante, sabe? Têm sido incrível. Talvez eu seja mesmo especial, talvez não passe de mais uma pessoa comum, ainda com dúvidas e temores. Mas posso dizer que, talvez - e isto é mais provável do que realmente parece - eu tenha encontrado meu caminho.
 Bastou mudar a direção, no sentido contrário do que eu costumava achar ser o mais fácil.
 É quando colocamos os pés no chão que nossos objetivos saem do campo dos sonhos e passam a caminhar rumo à realidade. A realidade que sempre sonhamos.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Certamente, meu caro. Certamente!


 O professor perguntou e eu sabia a resposta. Ah, e como sabia! Deus, eu realmente sabia! Ainda sim, me perguntei minutos depois porque não dei a maldita resposta. Mesmo assim, a balbuciei em voz baixa com uma amiga, para que ao menos alguém soubesse que eu sabia.
 E então alguém respondeu, e era exatamente como eu havia pensado e compartilhado com uma pessoa na sala. Seria bom sentir ao menos um pouquinho de orgulho por saber a resposta antes mesmo da fulana da cadeira da frente, mas eu não sentia. Só me servia para lembrar que no meio de todas aquelas pessoas dentro da sala, eu era uma das que não tinha voz. Pior: das que não tinha coragem de ter voz.
 Fui espectadora da resposta dos outros por tempo demais. Em algum momento eu seria obrigada a abrir a boca, e caso não tomasse o cuidado necessário, dela sairiam anos de repressão opinativa. Seria uma bagunça e eu ficaria traumatizada, anulando de vez minhas chances de sair do anonimato.
 Minhas primeiras tentativas foram vergonhosas. Alguma parte do meu cérebro não consegue entender que não preciso chorar por estar nervosa diante de uma briga ou bronca injusta. Daí, lá vinham as lágrimas e o soluço.
 Eu não sei porque ou o momento exato em que decidi não chorar mais na frente das pessoas - a não ser em casos extremamente relevantes - mas eu o fiz. Meu controle tornou-se realmente bom. Chego a me sentir culpada quando algumas pessoas enchem seus olhos de lágrimas em alguns momentos e de mim não sai nada - ao contrário dos momentos em que assisto filmes de cachorros que morrem e instantaneamente as lágrimas surgem.
 A grande questão é que eu aprendi. Aprendi a não segurar o impulso de levantar o braço diante de uma pergunta, ou o de me defender, de dizer o que penso de forma coerente e de não me martirizar com cada erro ou pergunta idiota. As perguntas idiotas vão mudar o mundo algum dia!
 E essa pequena e tortuosa lição que me fez dar a cara à tapa ao mundo começou a moldar detalhes importantes que farão toda a diferença em meu futuro. Não, eu não sei quais são eles, do mesmo modo que não sabia o que enfrentar aquela ogra na 5ª série traria à tona oito anos depois.
 Este mistério carregado em toda lição difícil é o que a torna tão importante, porque a única certeza que podemos ter é a de que tudo é, na verdade, incerto. As respostas da prova, os relacionamentos mais firmes e até mesmo nosso próximo suspiro.
 Pra quê perder tempo se martirizando pela falta da perfeição dos acertos?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O lado inconveniente da força


 Eu não gosto de ser amável, grudenta e inoportuna. Detesto crises de ciúme e me sinto ridícula quando elas são de minha autoria. Se tem algo que odeio é gostar demais de alguém que não vale muita coisa. Tentava sufocar sentimentos como este e, na maioria das vezes, funcionava. Agora não. É uma completa babaquice.
 Me transformo no ser amável que detesto ser, corro atrás de forma moderada mesmo depois de receber os sinais de que estou agindo errado, digo coisas que normalmente ridicularizo e perco tempo demais sentindo saudade.
 Eu gosto mesmo é do meu outro lado. Ele não liga, não corre atrás e não se deixa abalar. Saudade é só uma palavra, e nenhuma música boa torna-se triste só por uma lembrança. Ele dá risada, dança, deixa a vida  rolar e que se dane o passado, que se dane o que os outros dizem, que se dane o emprego insatisfatório e a mensagem de texto não respondida.
 O que me intriga é que ele sempre opta pelo lado da felicidade. E pra isso não vive num mundo mágico onde consegue tudo o que quer. Esse lado sabe ser feliz com as coisas mais simples, sem os grandes dramas e complicações desnecessárias. É daqueles que ri de tudo, mesmo que "tudo" esteja uma merda, que perde o amigo mas não perde a piada e que depois de perder o amigo por causa da piada o conquista de novo na mesma hora.
 Imagine minha decepção quando me deixo dominar por uma parte de mim que não se dá valor.
 É terrível. Sou eu querendo ser cuidada, como se eu precisasse disso, como se não pudesse fazê-lo por conta própria. É dependência, é estúpido, é uma prisão sem grades. Sentimentalismo de merda! Sou eu querendo saber o que é o amor, mesmo já sabendo o que é, mesmo sendo amada pelas pessoas certas, mesmo dizendo não dar a mínima pra isso.
 Pra falar a verdade, eu duvido que haja alguém que goste deste meu lado. Vez ou outra ele dá as caras pelas brechas da janelinha de minha personalidade. Quer influenciar minha cabeça com seus conceitos imbecis e suas soluções que de nada servem. Quer me mudar, me levar às massas do sentimentalismo barato, onde tudo é obrigação e nada é espontâneo, feliz ou divertido. Quando é, dura pouco demais e acaba entrando para a maldita lista dos "momentos esquecidos somente à longo prazo". São os que não deviam valer nada, mas parecem valer o mundo.
 Eis o lado mais obscuro do meu coração, que agora passa a ser controlado do jeito que acredito ser o certo: sem saudade, sem falso romantismo e sem tristeza.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

I started a joke


 Querida Vida, esses dias descobri porque vou morrer sozinha: eu sou uma ogra. Não estou dentro do padrão da maioria dos homens. Eu não me apego, não corro atrás, não me apaixono tão fácil. Eu sequer sou boa em me recuperar de uma desilusão amorosa com outro. Não é tão simples pra mim.
 Fico o tempo todo buscando razão, criando teorias, me divertindo com o caos dos relacionamentos, sendo a piadista da turma. Eu estou ocupada. Eu estou ocupada sendo a amiga. Apenas a amiga.
 A engraçadinha que não é romântica, mas é fã dos romances da literatura e da televisão.
 No departamento de conselhos sou um desastre. Sou realista, mas sei reconhecer as boas oportunidades que entram na vida de meus amigos, e não deixo que eles desperdicem. Bem, ao menos eu tento não deixá-los desistir.
 Esse posto de amiga é até interessante, mas pode ser muito entediante também. Algumas vezes eu só queria deixar de ser a espectadora dos dramas e romances alheios e saber o que é isso. De repente eu até poderia provar de uma vez por todas minhas teorias, ou simplesmente não encontrasse nenhuma resposta. Mas ao menos eu saberia como é, sabe? Todo o clichê.
 De uma forma equilibrada, isto até poderia dar certo. E quem eu quero enganar? Eu quero que dê certo. Exatamente por isso tenho me recusado a perder tempo pulando de caso em caso.
 Mas como eu disse, sou uma ogra. Ninguém desperta meu lado carinhoso e doce tão facilmente. Têm que fazer por merecer. O que não é uma coisa ruim do meu ponto de vista, só torna as coisas mais lentas.
 Já é tarde demais pra mudar - mentira, eu só não quero mesmo. Mas estou começando a pensar de forma mais positiva. Em algum lugar por aí deve ter alguém que me conserte, ou melhor, que simplesmente perceba que não há nada quebrado em mim, apenas um espaço a ser preenchido.