domingo, 14 de julho de 2013

Tempo livre


 Como você pôde perceber, meu caro leitor, eu tenho muito tempo livre. É por isso que vira e mexe me encontro agoniada diante da caixa de texto para postagens - logo depois de rever meu facebook várias vezes.
 Só que tenho considerado meu tempo livre uma lástima - para ser um pouco dramática. Tempo livre em minhas circunstâncias atuais só me serve para pensar no que eu não devo, para sentir culpa do que não preciso e para reavaliar sentimentos cujos resultados só chegarão aos mesmos de sempre.
 Daí eu me encho de livros. Mergulho nos pequenos e extraordinários universos individuais de autores célebres como Oscar Wilde, Dan Brown, George Orwell, Nigel Warburton... Passo a questionar tudo. Passo a querer entrar em meu próprio universo fantasioso que se encontra ali, guardadinho naquela pasta em meu desktop.
 Pelo menos era assim que eu costumava acabar com meu inútil tempo livre. Por alguma razão eu empaquei. De maneira intrigante, fico muito mais criativa e sem bloqueios mentais para escrever romances quando minha vida sentimental está parada. Quando a falta de alguém não é o que vai preencher certo vazio que há dentro de mim, porque eu tenho meu próprio universo para escrever.
 Ao que parece, a falta de drama em minha vida é o que há de melhor no que diz respeito ao meu eu-lírico. Por outro lado, a atribuição deles torna tudo uma bagunça. Uma parte de mim resolve priorizar o momento feliz, até passar a priorizar o responsável por tal momento. E quando a prioridade torna-se indiferente e nada é mais como costumava ser, aparece aquele vazio que aparentemente só será preenchido com este sujeito. Só que eu percebo que não é este tipo de vazio.
 Sinto aquele vazio antes preenchido  por minhas paixões. É como se meu coração estivesse muito cheio de amor, raiva, luxúria e não conseguisse mantê-las em um local seguro. Eu com minha insanidade de me apaixonar por meus próprios dramas expulsei o que havia de melhor de dentro de mim.
 Sabe o que eu sou? Sou o cachorrinho arrependido, voltando com o rabo entre as patas e o olhar de piedade, querendo de volta o amor da minha vida: a inspiração. Quero me aconchegar em seus braços e contar minha história, dizer que sinto muito por ter deixado alguém me afastar dela.
 E por quê? Porque agora tudo que me resta é este confuso, torturante e maldito tempo livre. Somos só nós e minhas péssimas escolhas de prioridades.

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