domingo, 23 de agosto de 2015
Padrões
Estou já há alguns meses sem ter um encontro. Ou melhor dizendo, um bom encontro.
Eu, particularmente, detesto sair com pessoas totalmente diferentes de mim. Não porque eu me acho superior, mas simplesmente porque neste tipo de situação, eu sempre acabo tentando me enquadrar um pouco na personalidade do cara. É como se eu ficasse buscando uma brecha pra convencer que temos sim algo em comum - algo além do mesmo amigo.
Nunca dá certo.
Dependendo da minha força de vontade, o tiro sempre acaba saindo pela culatra, mais cedo ou mais tarde. É quando eu já nem tento mais e fico tomando goles da minha bebida e olhando para a tv fingindo estar prestando atenção no noticiário pra tentar ignorar que aquilo está péssimo.
Daí fiquei me perguntando porque é que nós, mulheres, estamos sempre tentando ser a mulher perfeita pro tal cara que vai mudar em prol de nossa vã perfeição?
Lá nos anos 60, a emblemática mulher perfeita era a dona de casa requintada, bem arrumada e conformada. Quando navego em alguns posts do Facebook, o que mais vejo são novos padrões. Sempre encontro um ou outro texto pseudointelectual que afirma ser o manual para relacionamentos. Em um deles, havia uma lista das qualidades que toda mulher do século 21 devia ter pra conseguir um cara legal.
E lá estava eu lendo que a mulher tinha que falar de futebol e gostar de UFC. Se eu fosse levar a sério aquele ridículo texto, eu estaria totalmente convencida de que estava ferrada. Primeiro porque, por mais que eu tente, não consigo entender lhufas de futebol, e nem tenho paciência pra ouvir a explicação sobre o porque alguns gols são impedidos.
Além do mais, UFC pra mim é moda. E não, não dá pra entender porque é que tanta gente gosta de ver o povo levar porrada de graça. São assuntos totalmente fora de pauta pra mim.
E não é que eu condene todos que gostam de UFC ou futebol. Simplesmente são coisas que não se encaixam em meus gostos pessoais e, honestamente, não estou disposta a fazer nenhum esforço para gostar.
Mas o tempo todo eu vejo garotas falando com total empolgação dos tais assuntos quando estão numa roda de amigos. Elas carregam cervejas em long neck, vestem uma roupa apertada, enchem a cara de reboco e saem por aí fingindo ser a garota descolada que também curte coisas de homem.
Existem sim mulheres que gostam mesmo destas coisas, mas não é delas que estou falando. Você, caro leitor, sabe bem a quem me refiro.
O que vejo são novos padrões engolindo antigos padrões, mas que no fundo, remetem à mesma ladainha de sempre: a mulher tem que ser "a" mulher.
Todo esse papo de mulheres que tentam ser o ideal dos homens me fez lembrar do livro "Gone girl" - vulgo "Garota Exemplar", de Gillian Flynn. O que vemos é uma mulher que desde o início mostrou-se totalmente perfeita ao cara pelo qual se apaixonou, e logo depois que mostrou quem era, seu casamento entrou em crise.
Não que o extremo de personalidade que o livro propõe seja a realidade de todas as mulheres, mas faz todo sentido.
A verdade é que, no fundo, todas nós gostamos da ideia de estar solteira por um tempo. O problema é que, por todos os lados, estamos sendo pressionadas a termos um relacionamento estável. E a pior parte é que, quando todos os nossos amigos já estão em um, sempre tem alguém tentando nos ensinar como é que a coisa toda funciona.
Será possível que eu, em meu livre-arbítrio não poderia simplesmente viver a vida da maneira que eu quiser? Há uma real possibilidade de eu lembrar como é bom estar, de fato, solteira, ou preciso mesmo de mais um relacionamento ruim pra lembrar disso?
A ideia de viver sozinha o resto da minha vida não me atrai de maneira nenhuma. Solidão é um porre. Mas há outras ideias além de estar em um relacionamento, certo? Posso eu sonhar em ser bem sucedida sem ter que traçar planos para casar daqui há 5 anos?
Claro que sim!
Encontrar a pessoa certa leva tempo. E depois de um tempo passando por tanto relacionamento errado, concluí que toda essa tal "experiência" não vale de nada. Quando se trata de pessoas, quantidade não é tão importante quanto qualidade. É importante perguntar a si mesmo o quanto você amadureceu ou emburreceu naquele último relacionamento. Se acrescentou, bem, se não, de que adianta continuar tentando os mesmos métodos com os próximos?
Vou te dizer o lado bom de não ficar fingindo ser outra pessoa para impressionar outras: você é único! Pode ser que hajam pessoas parecidas com você, mas só você é você. Então pra quê ficar perdendo tempo construindo uma nova personalidade, se no final das contas a sua máscara vai cair e você vai sentir falta de ser você mesmo?
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Correr
Tem gente que gosta de comparar a vida com um montão de coisas. Pra fazer uso do meu direito inerente de comparação, eu tenho que dizer que gosto de comparar a vida com a corrida.
Mas não tem a ver com ganhar nem nada. Neste caso, não falo da corrida como um esporte competitivo. Me refiro muito mais à sensações e momentos que, na minha opinião, tem tudo a ver com essa modalidade.
Quem me conhece sabe que, recentemente, eu me tornei uma adepta chata da corrida - daquelas que se orgulham dos quilômetros percorridos e dos quilos perdidos. Mas os primeiros dois meses são terríveis, especialmente se o único motivo que nos leva a correr é o fato de estarmos acima do peso. Mas o tempo foi passando, e depois de ter a oportunidade de usufruir de momentos de reflexões intensas nessas corridas de praia que todo artista diz que adooora, acabei criando gosto pela coisa.
Gosto de comparar a vida com uma corrida porque, pra começar, o início de algo que tende a se tornar grande - ou uma paixão - é sempre meio difícil, exige uma atitude que nos faz pensar sobre o que queremos, traçar metas e finalmente perceber que não vai dar pra chegar lá sem tirar a bunda do sofá.
Daí vem a fase de adaptação, que, devo dizer, é simplesmente terrível. Tende a ser bem tediosa. É aonde começam a surgir palavras como comprometimento e disciplina. Você vai trocando um hábito nada saudável por um esforço que te obriga a abrir mão das tardes assistindo séries e dos lanches no comecinho da noite - sempre regados de deliciosos pães assados, queijo, bolos e doces.
Todo e qualquer esforço nessa fase é válido, mas sempre tem um aspecto de grande sacrifício. Muitas vezes, dá uma vontade danada de desistir. E eu não sei vocês, mas sempre acabo buscando desculpas lógicas pra desistir de um estilo de vida alternativo.
Superado o trauma, a gente começa a perceber os resultados e a considerar válida a possibilidade de que existe uma pequena chance de dar certo e, sei lá, sermos bons naquilo - ou muito bons, vai saber. Então, dá vontade de ir além, pesquisar mais, treinar mais, suar a camisa pra valer.
Nos empolgamos tanto que queremos dar passos maiores do que nossas pernas. A gente não quer correr, quer "voar". Claro que não há nada de errado em pensar grande e ir além das possibilidades, mas acabamos sendo cegados por um certo deslumbre e, o fato de estarmos tão sedentos pela chance de ultrapassar nossos limites mais prejudica do que beneficia.
Daí vem as lesões.
Semana passada senti a tal lesão. Por algum motivo, eu achei que já era boa o bastante pra correr em uma velocidade maior do que meu corpo estava acostumado. Uma atitude até louvável - quer dizer, olha eu saindo da minha zona de conforto! Mas repito: passos maiores do que as pernas normalmente nos fazem tropeçar.
É quando a gente precisa encontrar o equilíbrio. Ou melhor: é quando a vida te obriga a encontrar um equilíbrio. Significa que tá na hora de tratar a ferida - ou lesão, sei lá, estou sendo metafórica aqui - deixar pra trás certos hábitos errôneos e se concentrar no presente, e no futuro também, por que não?
Volta a disciplina tentando nos fazer aprender que temos que seguir nosso próprio ritmo e adotar maneiras mais benéficas de lidar com os problemas, ao invés de continuar insistindo na mesma fórmula fracassada que só nos atrasa.
Depois de passar por todas essas fases, a gente acaba percebendo a maravilha da corrida: Liberdade pra lidar com o próprio corpo e superar os próprios limites. E finalmente dar-se conta de que enquanto parece que estamos correndo pra lugar nenhum, nós estamos sim tentando chegar à algum lugar, seja ele um estado de espírito ou um paraíso particular de fuga do estresse do dia a dia. E este tentar - o meio da jornada - é o que mais vale a pena.
Por isso, encaremos a vida, não como uma competição acirrada para chegar sempre em primeiro lugar, mas como uma corrida que começa devagar, tem seus picos de empolgação e também uns momentos extremamente cansativos. Mas ela nunca perde sua natureza intrínseca: uma prazerosa liberdade de poder superar a si mesmo.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Deixa ESSE passado entrar
Tinha um cara naquele filme bacana do Woody Allen com um papo de que pessoas nostálgicas têm tendência a negar a realidade. Um babaca, é claro. Acho que o personagem principal agiu da mesma maneira que eu provavelmente agiria - afinal, ele era o alvo da crítica. Um girar de olhos disfarçado e um sorriso de educação que escondia um singelo: "Por gentileza, cale a boca".
Admito que não sou a pessoa mais adequada para julgar esse tipo de constatação, afinal eu ainda me sinto hipnotizada por certos aspectos artísticos do passado cujo intuito eram justamente o de serem eternizados. Mas diga-se de passagem, o personagem do tal cara com a observação tendenciosa não passava de um pseudointelectual.
Acredito firmemente que a questão não gira em torno de estarmos ou não negando a realidade. Até porque isto é deveras inútil. Todos os dias somos obrigados a encará-la. Não me lembro de um dia sequer em que decidi fingir ser a rainha da Inglaterra só pra sair da rotina.
Isto é uma questão de prazer cultural.
Não há argumento que me convença de que estamos vivendo a melhor das eras no campo da música, da arte e da literatura. Na verdade, essa é a era do "nada se inventa, tudo se copia".
E de fato estamos até mesmo um pouco entediados com toda essa monotonia frenética do dia a dia das grandes metrópoles. São simplesmente os mesmos filmes com temas de super-heróis, as mesmas exposições com "artes" que até a minha sobrinha de 2 anos conseguiria fazer, bares descolados com muita gente... Muita gente a fim de conversar com mais gente, só que pelo Whatsapp.
Vez ou outra encontramos algo divertido, que tira risadas genuínas, tornam-se momentos memoráveis, despertam a nossa curiosidade e aguçam nosso desejo de buscar o que é novo.
Eu, particularmente, sempre acabo me vendo nesse tipo de ocasião quando estou de alguma forma ligada com algo do passado.
Claro que, no caso, deixo de lado as lembranças que envolvem ex-namorados - até porque a ideia aqui não é a de ficar na fossa.
Estou falando do genial Frank Sinatra, do talentoso Ray Charles e dos harmoniosos The Temptations. Falo de letras marcantes. Falo de Aretha Franklin encontrando seu grande amor em "Natural Woman" e de Billie Holiday comprometendo-se a amar em "Come Rain or Come Shine".
E como não sonhar em estar apaixonado se parecia simplesmente tão incrível naquelas canções dos Beatles?
E eu poderia ficar a noite inteira descrevendo as músicas, os filmes (só eu adoro aquele drama exagerado de "The Breakfast Club?", os livros (ainda devoro as palavras de Jane Austen sem me cansar) e ainda sim eles continuariam fazendo total sentido, mesmo sendo os responsáveis por esta minha eterna ilusão - ou esperança - de que sempre haverá algo além do superficial, que tem a capacidade de nos tocar, marcar nossas vidas e moldar nossos pensamentos.
Acho que é por isso que gosto tanto do filme "Meia-noite em Paris": um cara vivendo seu sonho de viver todas as noites ao lado de seus escritores, músicos e artistas preferidos. Tendo a oportunidade de maravilhar-se num mundo que não deixa de encantá-lo.
Quem não gostaria?
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Em defesa dos introvertidos
Quando era adolescente, não achava essa coisa de ser tímido tão fascinante. Na verdade, nunca foi fascinante pra mim. A palavra "introvertido" sempre me remeteu à algo negativo. Pra mim era um grande mistério tentar entender qual era o real motivo de alguém achar nisso algo positivo. Com certeza foi um teste de paciência e, eu diria até de amabilidade, mas acho que isso é ir longe demais.
De fato, meu problema com a timidez diminuiu com o passar do tempo, mas a tal da introversão continuou. E como poderia ir embora? Timidez é medo da rejeição, introversão é personalidade.
Se soubesse disso naquela época, talvez entrasse em estado de desespero. E como não? Quando se tem 15 anos, ser extrovertido é a melhor coisa que pode acontecer. Ninguém fica achando que você tem "sérios problemas em se relacionar" ou fica sugerindo que você saia mais, namore mais e pare de ir à biblioteca quando o objetivo é cabular aula - uma estranha característica minha nos tempos de escola.
Por outro lado, ser introvertido numa fase em que tudo o que você quer e sente que precisa fazer é se definir, bem, dificulta as coisas.
Demorou um tempão pra que eu parasse de ficar "tentando me encontrar". A gente tem essa mania de tentar ser um pouco de tudo só pra se encaixar e acaba se frustrando quando percebe que nenhuma daquelas personalidades nos pertencem.
Só que o tempo passa e hora ou outra a vida nos coloca na posição de se aceitar ou continuar inventando personalidades. Se chegar nessa fase, eu sugiro que seja você mesmo.
Sei que a mensagem é deveras piegas, mas é bem realista. Viver de aparência é extremamente cansativo.
Depois de um bom tempo partindo da premissa de que inventar personalidades era bem mais interessante, o cansaço das aparências finalmente me dominou e eu me vi numa crise de identidade - quem nunca?
Fico feliz por Susan Cain ter escrito o sensacional "O poder dos quietos". Foi a primeira vez que me senti tão absolutamente sortuda por ser introvertida. Há algo de muito charmoso e interessante em estar desgarrada dessa ideia dominante de que ser extrovertido é o que há!
Introvertidos são interessantes. Abominamos conversas fiadas, mas adoramos nos aprofundar nos mais variados assuntos. Podemos não ser os mais falantes em uma conversa, mas essa aptidão de ouvir mais nos ajuda a compreender o outro de maneira mais abrangente, solidária. Nos ensina a observar aspectos mais profundos do que é dito, como é dito e porque é dito.
A ideia de que somos sozinhos e de que gostamos disso é totalmente distorcida e distante da realidade. Temos anseio em conhecer pessoas, mas buscamos relacionamentos mais profundos e resistentes. Não temos muita paciência para o que é superficial, por isso gostamos de mergulhar naquilo que é intelectualmente e emocionalmente relevante. Por isso é que conto os amigos verdadeiros nos dedos e ainda sim me sobra espaço.
Quero deixar claro que não estou pregando contra os extrovertidos. Na verdade, eu adoro pessoas extrovertidas. Elas nos desafiam, nos intrigam, nos encantam, nos complementam. Alguns sortudos podem até ter o que a Susan chamou de "o melhor dos dois mundos" - algo entre o introvertido e o extrovertido.
Só estou tentando fazer com que entendam que há mais na introversão do que se pode imaginar. Eu costumo sorrir feito boba quando percebo que estou começando a desvendar alguém, e com o passar do tempo vejo que ainda há muito a ser descoberto.
Por isso, numa época em que o Facebook tem definido as pessoas, eu acredito que podemos e devemos ir além e ampliar o nosso olhar para aqueles que não conseguimos entender, mas que ainda têm a muito a nos mostrar.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Entrega
Independência pra mim é essencial.
Não é que eu esteja em uma busca frívola e desenfreada por autonomia, mas não dá pra negar que este é um dos meus objetivos mais importantes. Ouso dizer até que é uma das bases dos meus mais loucos sonhos.
Então, desde que era mais nova, tentar fazer o máximo possível por conta própria era minha prioridade. E nesta lista incluía aguentar as zoações da galera da escola, arranjar um trabalho, lidar com as emoções frenéticas de adolescente e construir relações com as pessoas à minha volta com a convicção de que é importante não se escorar nos outros.
Ter esse princípio básico gravado em minha mente moldou a minha personalidade, minhas metas pessoais e a maneira como lido com as áreas da minha vida.
Recentemente, me dei conta de que ser tão autossuficiente sempre é cansativo. Poder confiar em alguém para se apoiar - repare que desta vez usei o verbo "apoiar" e não "escorar" - é tão importante quanto buscar independência.
Felizmente, a melhor coisa que me aconteceu este ano foi me dar conta de que não preciso carregar todo o fardo sozinha. Espiritualmente falando, estou ótima, obrigada. Ter a certeza da salvação em Jesus Cristo abriu os meus olhos, quebrantou as barreiras em meu coração e me trouxe à vida novamente.
E este despertar acabou por trazer à tona antigas aspirações, objetivos e até mesmo uma velha e saudável ambição.
Estas coisas surgem do nada. Voltaram em um momento em que achei ter reencontrado a felicidade, quando na verdade ainda não havia sequer achado a mim mesma. E ao me dar conta de tudo isso, foi extremamente difícil perceber que eu havia construído um castelo de ilusões, e pior, colocado pessoas dentro dele.
Então, lá estava eu achando que me apaixonar resolveria meus problemas, ou que tentar parecer alguém que não sou traria a aceitação das pessoas, e a aceitação das pessoas, consequentemente, me faria feliz.
Caramba, galera! Já me enganei tanto com isso. Parece besteira quando, na teoria, condenamos os erros seguidos dos outros, apontando o dedo e afirmando que nunca seríamos capazes de cometer a mesma burrice duas vezes. Quer dizer, sério? Eu já perdi as contas de quantas vezes cometi o mesmo erro.
Óbvio que me recuso a achar que isso é pura burrice. Eu diria que está mais para um inclinamento meio inconsequente, porém inconsciente, que temos de nos meter em roubadas. Culpa das nossas emoções. Se tem algo que pode nos trair de forma tragicômica, sim, são nossas emoções.
Quer dizer, pense bem, meu caro leitor: quantas vezes você já chorou - bêbado ou não - por alguém que nunca nem ligou pra você? #EmoçõesFAIL. E quantas vezes você já se deixou levar por um sentimento de pura carência achando que o primeiro que aparecesse na sua frente e te soltasse um sorriso seria o amor da sua vida, que te tiraria da solidão destes dias tão cinzas e chatos? Mais uma vez: #EmoçõesFAIL.
Não é que sentir seja uma coisa ruim. O problema é quanto a gente SÓ SENTE.
Essa cultura de Facebook tem mania de nos levar aos extremos, sabe? Ou a gente ama, ou a gente odeia. Quer ver?
Nos apaixonamos loucamente por alguém, mas só é a coisa não dar certo que já dizemos a nós mesmos - bom, hoje em dia dizemos ao mundo - que nunca mais nos apaixonaremos de novo. Nunca mais confiaremos de novo. Nunca mais ouviremos aquela música do Jorge e Mateus de novo. Que saco, hein?
Me pergunto se não podemos simplesmente ter um meio termo. A paixão não deu certo? Bola pra frente, talvez a próxima dê.
O problema é que ficam por aí pregando que razão e emoção não andam juntas, quando na verdade as pessoas deveriam estar mais preocupadas em usarem a cabeça em conjunto com o coração pra não acabarem dependentes ora de um, ora de outro.
O fato é que minha cabeça e meu coração passaram a trabalhar em conjunto, e vou te dizer: eles formam uma ótima dupla!
A partir desta fusão magnífica, me dei conta daqueles sonhos que mencionei no começo deste texto, e do quanto eu tinha capacidade de alcançá-los. Tudo o que eu teria que fazer era parar de sentir pena de mim mesma, parar de dar audiência para a carência que me dominava e parar de tentar projetar a imagem de alguém que eu não sou - uma pessoa cujos sonhos eram diferentes dos meus, apenas porque sonhar mais baixo era mais fácil.
Então, aqui estou eu garantindo a vocês que eu acordei pra vida. Que o meu abrir de olhos não teve a ver simplesmente com uma epifania, como eu tenho dito por todos estes anos - sério, quantas vezes já usei a palavra "epifania" neste blog? - mas muito mais com um despertar espiritual que me tirou do centro do meu universo e passou a centralizar quem é digno de toda honra e glória: Deus.
E ao contrário do que pensam por aí, isto não me levou à alienação, mas à certeza clara de que realmente fui liberta.
Lembram dos sonhos que mencionei? Bem, primeiramente, eles não eram meus sonhos. Eram os sonhos de Deus, e eu os havia largado. E agora, além deles, Deus me trouxe à tona novos sonhos. Eu tenho a honra de desejar pelos sonhos que o Senhor preparou para mim. Não é simplesmente maravilhoso?
Agora, vamos recapitular. Nos momentos em que agi conforme às minhas emoções apenas, me tornei emocionalmente vulnerável e desenvolvi carência pela aceitação e o afeto das pessoas - um sorrisinho e puff! Já estava apaixonada. E quando eu agia apenas com a minha cabeça - a razão - estava em constante estado de solidão, revolta e renúncia, pois a realidade de uma sociedade massacrante como a que vivemos me tornava pessimista e me fazia preferir conseguir coisas menos significantes, porque elas são bem mais fáceis de serem conquistadas, e me impulsionava à negação.
Porém, a liberdade espiritual me trouxe paz, segurança e esperança. Entregar nossas vidas à Deus não é abrir mão da razão. Pelo contrário. Seguir a Deus nos impulsiona à conquistar o impossível e, para isso, nos dá coragem e ousadia para fazer o que for necessário, fazendo uso de nossa inteligência - que é uma dádiva. E quando colocamos o nosso coração no meio disso, estamos exercendo a nossa fé, confiando nossas vidas Àquele que nos salvou de um futuro de horror e nos deu a chance de uma vida eterna, sem dor, sem angústia, sem sofrimento.
O que quero dizer aqui é: Não é só sentir, não é só ter razão. Também é buscar, viver e conviver com a mudança.
Desejo do fundo de meu coração que muitos possam ter o mesmo despertar que eu tive. Que parem de viver a vida que os outros sonharam para eles. Que libertem-se do medo da opinião pública e que consigam ser verdadeiros com eles mesmos.
Uma vida dedicada a agradar as pessoas só nos leva ao engano. Porém, comece a agradar a Deus e você verá aquilo que os nossos medos mais supérfluos nunca nos deixaram ver: paz, vida, comunhão e liberdade.
Que Deus os abençoe.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Quem é que manda?
Entrar no Facebook e ver as notícias parece
uma forma muito mais eficiente de se manter atualizado do que comprar um jornal
na banca – especialmente se for às 6 da manhã. Além de prático, é muito mais
rápido e resumido. Esta tem sido a realidade de muitos. Uma prova de que o
Facebook é muito mais do que um meio de exibir ‘selfies’.
Para os entusiastas das teorias das
conspirações, estamos presos em uma armadilha, mas não nos damos conta –
afinal, é divertido. Já dizem muitas mães e tias por aí que é o fim dos tempos
e que nunca houve tanto egoísmo e falsidade como agora.
Partindo para o lado mais objetivo de todas
estas afirmações, esta é provavelmente a era mais individualista de todos os
tempos. Por irônico que pareça, a rede social que junta também separa. Mas a
recíproca também é verdadeira.
Apesar de estarmos cada vez mais ausentes de
forma física, tecnologicamente falando, somos um conglomerado de pessoas com
certos níveis de poder que somados formam uma massa de expressão significativa.
E é possível ver isso nos maiores movimentos virtuais de 2013, como o
#vemprarua, resultado dos protestos ocorridos em Julho do mesmo ano, ou a
página “Diário de Classe”, da estudante Isadora Faber – perseguida e admirada
por suas denúncias contra o sistema de educação pública.
Mas como nem só de idealismos vivem as redes
sociais, não é de se admirar a quantidade de seguidores dos blogueiros e
artistas mais populares da atualidade. Gabriela Pugliesi – a blogueira fitness
com um tanquinho quase surreal para as mulheres aqui de baixo - faz sucesso com
seus 566,251 mil seguidores no Instagram. Nem chega perto do craque Neymar Jr,
é claro, que já ultrapassa a margem de 11 milhões de seguidores. Uma verdadeira
disseminação de ideal de beleza e o sonho do futebol, compartilhado por toda –
ou quase - uma nação de brasileiros.
A narrativa por detrás de tanta beleza,
juventude e determinação – mesmo que o lema seja, em sua maioria, algo banal
como “No pain, no gain” – é uma poderosa fonte influenciadora, que molda
pensamentos e hábitos de maneira muito eficaz. Porém, este nível de influência
e admiração atingido por carismáticos “populares” diz respeito a propósitos
mais superficiais e cotidianos. Os seguidores da garota fitness e de Neymar
estão, na verdade, buscando adequar-se a um mundo em que bundas e futebol são
mais valorizados do que conhecimento, por exemplo.
Artistas como Beyonce, Lady Gaga e Nick Minaj
não surgiram instantaneamente com uma ideia mirabolante para conquistar toda
uma geração. Assim como “por trás de um grande homem há sempre uma grande
mulher”, por trás de um grande artista há sempre um grande empresário – Jay Z
que o diga.
Não estou aqui menosprezando as formas de
poder tão visíveis em nossa Timeline – ou no VEVO. O propósito é ressaltar a
simples e astuta realidade de que quem manda na narrativa, manda no mundo.
Destaco aqui os ‘contadores de histórias’ e
inventores de movimentos independentes - como Rafinha Bastos e suas polêmicas
“causas” em sua página do Facebook - ou co-dependentes, como Neymar e a CBF.
Ou, permitindo-se mergulhar no universo das conspirações – Obama e os
Iluminatis.
O poder verdadeiramente dito está escondido
por detrás de camadas de poderes mais “expostos”, por assim dizer. É aquela
história de “o chefe do meu chefe é quem dá as ordens”.
Se a intenção fosse destacar qual a forma de
poder realmente benigna para uma sociedade habituada ao caos, ela viria de uma
mudança estrutural significativa na educação.
Porém, benigna ou não, isso nada mais é do
que a base de todo poder: Conhecimento. A maneira como ele será usado – para o
bem ou para o mal - é outro assunto.
Aqueles cujo poder está nas mãos –
independente de qual for o nível – nos impelem a reagir, seja lá qual for o
propósito. Basta um olhar mais atento: uma pequena mudança na narrativa e mais
uma vez estamos dançando conforme a música de alguém.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Ser complicado
Não tem nada pior pra uma pessoa complicada explicar o que é que a torna tão complicada. Ela sai em busca de verbos e sinônimos, morde os lábios, faz careta, bagunça o cabelo e nada de sair a tal explicação. Só pra "ajudar", ela não quer ser óbvia, e muito menos ligar a característica à frase daquela tão famosa música: "complicada e perfeitinha".
Ser complicado não tem nada a ver com perfeição. Tem gente que acha que é charme. Eu vejo como um embaraço. Do meu ponto de vista, ser complicado é não conseguir verbalizar os sentimentos com clareza. É encontrar na paranoia um chão pra chamar de seu. É se dizer 'realista', mas na verdade estar empenhado em relembrar e prever fatalidades.
Quando saio por aí tentando explicar que sou complicada, vou logo deixando um alerta de fuga: a hora é agora, cara!
Nas raras vezes em que alguém decide ficar, nunca sei se a pessoa está curiosa, entendiada ou se só quer me desafiar mesmo. Infelizmente, é justo nestas vezes em que eu mesma boto pra correr quem está tão interessado em saber o que é que diacho se passa na minha cabeça! "Fuja para as colinas!", ecoa um grito mental quando o sujeito continua me olhando com cara de "o que mais? Diz aí!".
É porque o meu "o que mais?" é cheio de segredos e confusões que as vezes até eu tenho que esquecer a ideia de tentar entender.
Não tem nada de nobre ou atrativo em ser complicada.
Bom mesmo é ser bem resolvido, sem neuras, sem traumas. Ouvir um elogio e não desconfiar do significado por trás daquilo, ter uma pessoa sendo extremamente legal sem que você tenha que sair procurando um defeitozinho pra lembrar que ninguém é mesmo perfeito - um pedaço de brócolis no dente, sei lá!
Complicação pode não ter nada a ver com perfeição, mas nos torna detalhistas e chatos com coisas que deveriam ser insignificantes. Claro que, a meu ver, estas coisas são classificadas de acordo com a personalidade de cada um, mas elas ainda estão ali, andando lado a lado.
Porém, a maior característica que percebo em pessoas complicadas é o fato de que elas não querem se descomplicar. Há algo de muito emocionante em estar à procura de experiências mais fortes, carregadas de detalhes ínfimos e que parecem fazer toda a diferença. Aquilo já faz parte delas. É o seu charme, como diriam alguns.
Mas, de complicada pra complicado? Desencanar não faz mal à ninguém. De vez em quando a gente precisa simplesmente abraçar aquilo que entra na nossa vida com a intenção de nos fazer feliz - mesmo que talvez isso só venha a acontecer à longo prazo. Esse "querer tudo pra agora" que nos ronda está nos transformando em uma sociedade de ansiosos psicóticos, que buscam os defeitos alheios e não conseguem enxergar os próprios defeitos. Que se prende em idealizações idiotinhas, repletas de "eu" e desfocadas do "nós".
Minha vontade neste exato momento é simplesmente de descomplicar e encontrar o equilíbrio. A intenção, lógico, não é a de me transformar em exemplo de "Paz e amor", muito menos a de sair por aí dando lição de moral em todo mundo que cisma com aquela maniazinha chata do outro.
É que desconfio que, me libertando de todos estes traumas, neuras, ideais de beleza e de personalidades, vou acabar encontrando aquele tipo de coisa boa que nenhum complicado espera encontrar, mas que ao fazê-lo, não vai ousar questionar as razões e falcatruas que possam haver por detrás de algo que tem tudo para ser verdadeiramente bom.
Descomplicar faz parte da viagem. Então, a minha dica é: Viva... e relaxe.
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