Meus queridos. Eis mais uma noite de sábado em que me encontro parada em frente ao meu computador. Pode parecer enrolação pra esconder um provável sentimento de tédio, mas eu realmente adoro estes momentos de reflexão, cujas palavras surgem tão naturalmente que é como se eu flutuasse - ok, exagerei.
Sério, eu não estou entediada. Um dia desses li uma matéria que dizia que o segredo da felicidade é manter-se sempre ocupado. Foi daí que eu decidi aderir isso à minha pequena lista de filosofias de vida. Então, como recentemente terminei uma espécie de "relacionamento", vamos dizer assim, tenho me encontrado a mil por hora, sempre dando um jeito de preencher qualquer tempo livre que venha a me fazer tomar decisões imbecis ou ter lapsos de arrependimento por ter tomado a decisão certa no que diz respeito à minha vida amorosa.
Pois bem. Eu estou saindo com alguém. Esta pessoa é maravilhosa. Tem um gosto fantástico para música, adora ler, é excêntrica de uma maneira sutil e tem um bom humor que deixa qualquer um nas nuvens. Eu estou saindo comigo.
Para alguns amigos - Hesmeraldino! - isto seria um prato cheio para me denominar uma "descolada" - digamos que nós temos nossa própria piadinha interna sobre pessoas que vão ao cinema sozinhas (não, eu não fui...ainda).
Acontece que estou curtindo bastante alguns momentos de solidão. Saio por aí conhecendo lugares em que nunca estive e entrando em livrarias - onde gasto um tempo fora do comum para escolher um livro e me convencer de que não é uma boa ideia gastar quase todo o salário com cinco deles na mesma ocasião.
Além disso, têm me parecido muito mais agradável fica lendo em casa - ou em qualquer outro lugar com uma dose tolerável de silêncio - do que ir para alguma balada ou encher a cara. E isso é uma fase. Sei disso porque na próxima sexta eu provavelmente estarei tomando uma cerveja com os amigos da faculdade e contando histórias sobre como minhas férias foram IN-CRÍ-VEIS!
E não é que eu esteja tentando parecer intelectual - tá, eu estou. E quem não está?! - mas eu gosto mesmo de ter estes momentos de expansão do pensamento - sem ter que recorrer à drogas alucinógenas, que fique claro. É que eu estou sempre tentando me desligar daquilo que deveria me fazer mal, e de alguma forma, é melhor recorrer a uma boa dose de conhecimento do que a uma de tequila - da última vez, mandei torpedos constrangedores. Não foi legal!
Este conhecimento, por mais nulo que possa parecer - o que não acredito, já que considero todo conhecimento válido - é o que me empurra pra frente em fases em que eu deveria estar me torturando com música tristes e relembrando momentos agradáveis que não voltarão mais.
Uma colega chegou a tentar me convencer de que eu deveria parar com toda a tara e compulsão por livrarias, pois o único motivo de eu estar gastando tanto ultimamente com livros - que nem são de autoajuda - era o fato de que, por dentro, eu estava sofrendo. Sofrendo muito!
Eu sei, eu deveria escolher melhor minhas amizades. Detesto os tipos "psicólogos de boteco" que adoram encher os outros de conselhos que eles mesmos são incapazes de seguir. E se tentam te convencer de que conseguem entrar na sua mente e descobrir tudo o que você está sentindo - sentimentos ruins, é o que dita a regra - vou ter a plena certeza de que esta pessoa é uma cretina! Ora! Caso eu esteja "escondendo sentimentos", eu provavelmente teria uma razão pra não sair por aí molhando o ombro dos outros com lágrimas e lamúrias, e ela se chama bom senso.
Só que a teoria dela - a tal colega - é uma fraude. Eu não estou magoada, e tampouco tentada a sair por aí me debulhando em lágrimas pra todo mundo ver. Eu só estou "superando uma fase", talvez me preparando para algumas noites de sábado em casa, gastando um pouco mais do que devia, tendo epifanias, desejos e aspirações que há algum tempo não ousava ter por não me achar mais merecedora.
E com tudo isso eu só posso concluir que não há chance alguma de eu tratar da minha "tara" por livrarias*, blogs ou o site da Superinteressante - e sim, eu continuarei parecendo uma intelectual - porque se há um remédio pra superação, esse remédio é a vontade de se superar, certo? O meu jeito é partir da curiosidade pelo conhecimento e quem sabe surpreender a mim mesma. Vai que, sei lá, eu arranje algum emprego mais legal ou consiga finalmente terminar de escrever um livro?
A vida - esta cadela, ora miserável, ora espetacular - me botou novamente na seção de autoconhecimento - é capaz até de estar criando pequenos narcisistas com esta atitude. E o único motivo de eu não reclamar é porque eu já estive aqui antes, e olhando em volta... Não é um lugar tão ruim assim.
Na próxima saída, terei todo um arsenal de informações e experiências que só me servirão para perceber que, na verdade, nunca estive tão bem.
NOTA: *O único motivo de não estar obcecada também com a biblioteca é o fato da minha não estar mais realizando o empréstimo de livros. Por algum motivo idiota, alguém achou que seria uma boa ideia roubar o único computador ultrapassado de lá, e ferrar todo um sistema de empréstimos e devoluções. Agora é esperar setembro pra ver se a prefeitura fez a "gentileza" de comprar um novo. O que significa, sem mais "Guia do Mochileiro das Galáxias" pra mim - depois que você acostuma a pegar emprestado, comprar a obra de Douglas Adam (por mais genial e divertida que seja) parece um gasto sem sentido.
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Um comentário:
Cara, você me inspira tanto *---*
Emoção aqui!
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