sábado, 3 de agosto de 2013

"Viver e ser livre..."


 Eu peguei aquele ônibus em direção ao Itaim Bibi, mas eu sabia que no fundo eu estava indo rumo à lugar nenhum. Eu quis ver a cidade por detrás dos vidros, me maravilhar com o céu e esquecer de tudo. Me encontrei petrificada com a paisagem, com as pessoas, a cultura e a arte urbana escondidas embaixo de viadutos.
 "Isso é vida", lembro de ter pensado. Eu havia passado tempo demais sem me surpreender com estas pequenas coisas. Saí pra me vestir com uma nova personalidade - roupas novas, yupii! - e voltei com livros pagos com todo o dinheiro que eu tinha levado com o intuito de me "reinventar". Foi quando eu percebi que não precisava disso, só precisava relembrar a minha essência. Quem eu era havia ficado em um ponto distante de meu passado. Quase fui esmagada por minhas próprias escolhas estúpidas.
 E nestes breves momentos de reflexão, oportunidades surgiram como que por um milagre, e foi como se um peso muito grande saísse de dentro do meu coração. Eu não estava mais totalmente perdida, e ninguém havia me encontrado ainda. Eu havia me encontrado neste estado de esperança que não esbarrava comigo há tempos.
 Quando me dei conta de que não fazia ideia de onde estava, mas mesmo assim adorava a vista, sorri por dentro. Eu podia continuar explorando o mundo lentamente, sem pegar aviões ou atalhos. Porque no fundo, a única razão que tenho pra fazer isso é a imensa necessidade de saber que ainda há muito mais para se viver, mais coisas para ver, mais universos para explorar e pessoas para me maravilhar.
 De repente, me pareceu muito idiota ficar presa em meu quarto, torturando-me com pensamentos insignificantes quando, na verdade, eu estou constantemente diante de um mundo de oportunidades que não se cansam de bater em minha porta, convidando-se para entrar.
 Permiti-las é, agora, minha filosofia.

2 comentários:

Unknown disse...

Nossa, tocante :)

Rafael R Cabral disse...

Dani adorei seu texto, me fez lembrar de coisas muito boas que vivi em São Paulo!