Já dizia alguma pessoa bem resolvida por aí que ninguém morre de decepção - ao menos eu nunca fiquei sabendo de nenhum caso do tipo. Só acredito porque até agora não morri. Não é querendo dramatizar à moda de "Malhação", não! Mas tenho uma coleção de decepções bem grandinha, até. E imagino que você, leitor, também deva ter a sua. A única diferença é que variamos bastante o lugar aonde deixamos esta lista.
Eu gosto de deixá-la na parte do bom humor. É lá que se encontra a minha válvula de escape. É lá onde tranco minhas frustrações depois de transformá-las em chacota. Porque é bem mais fácil rir das minhas gafes e decepções passadas do que ficar remoendo-as.
Isso mesmo. Eu as tranco! Dificilmente deixo escapar lembranças. Elas me fazem sofrer inutilmente. Para que virem piada, preciso me concentrar nas partes frustrantes e nos momentos constrangedores. Me recuso a lembrar das coisas boas. Ela não me trazem alegria, só saudade e ás vezes possíveis hipóteses a respeito de como teriam sido as coisas caso eu tivesse agido diferente em determinadas situações.
Só que hoje eu me permiti lembrar. E eu lembrei de cada sorriso arrancado, cada piada engraçadinha e cada arrepio que sentia com o toque dele. E, bem, foi um pouco idiota porque decidi fazer isso enquanto ouvia "Breakeven"* - o que talvez me torne uma imitação não tão ruim dos personagens de "Malhação".
Sentir toda aquela enxurrada de decepções vindo sob mim foi meio devastador. Eu nem sabia que guardava tanta coisa no meu disco rígido. Meus olhos arderam, eu segurei um chorinho, mas deixei que toda e qualquer possível dor vazasse, só pra que fossem embora de vez.
E enquanto isso, Danny O'Donoghue insistia em seu versinho: "What am I supposed to say when I'm all choked up and you're okay?" (O que devo dizer enquanto estou engasgado e você está bem?). A pior parte é que eu entendia todos aqueles malditos versos - porque devo ter ouvido a canção umas 500 vezes. O que eu começava a lutar para entender, mais uma vez, era a razão de todo aquele drama. E foi inevitável não pensar que as pessoas têm esse péssimo hábito de descartarem umas às outras sem motivos exatos, e que isto já estava se tornando natural. A individualidade nunca teve tanta força.
Quando a música acabou e eu voltei ao meu estado normal, a maior parte da dor, da indignação e da confusão haviam vazado. Com certeza ainda restam vestígios em algum lugar por aqui, fazer o quê?
Vai virar piadinha de boteco, lembrança pra contar pras filhas, tema de texto pra postar no blog. Porque nada e ninguém é, de fato, descartável. E é por isso que esta
* "Breakeven" - The Script

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