domingo, 4 de agosto de 2013
O remédio é puramente filosófico
Eu gosto de filosofia. Certo, talvez eu seja apaixonada por filosofia - isso vem da pessoa que costumava ser uma aluna mediana desprovida de senso de curiosidade. Começou no ano passado, onde tive o prazer de conhecer um dos melhores professores que já tive - senão o melhor. Infelizmente eu saí da faculdade antes que pudesse saber o resultado de minha avaliação em sua matéria.
Mas ele acabou sendo capaz de plantar uma pequena raiz de curiosidade que tem crescido cada vez mais dentro de mim. Ressalto a genialidade deste cara dizendo que se todos os meus professores fossem como ele, me puniria a cada lapso de sono que me atingisse devido ao cansaço - e não ao tédio, vale lembrar.
Hoje lembrei dele. Estava eu tendo pena de mim mesma e me perguntando porque a maldita Lei de Murphy tem um prazer especial em me atingir. Enfim, aquela ladainha toda de gente que não tem o que fazer no domingo a tarde e inventa teorias para se vitimizar, esperando que a volta por cima seja muito mais rápida do que de costume. Tendo atingido em algum momento um estado quase apelativo de bom senso, decidi tentar me distrair com algo de útil. Peguei meu "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia" - minha mais nova aquisição que custou todos os meus últimos tostões de sobrevivência no mês - e comecei a ler.
Foi difícil se concentrar no começo, pois como momentos de bom senso em situações estressantes como a que eu me encontrava costumam ser passageiros, as palavras passavam quase que batidas por ás vezes eu me pegar distraída com minhas perguntas estúpidas a là "Por que eu?".
Mas a força de vontade foi grande, e de repente eu estava devorando as páginas daquele livro - não literalmente, é claro, pois isso seria deveras perturbador, pra não dizer estranho. A resposta de meus problemas - que, vejo agora, nem eram tão problemáticos assim - estavam bem ali, escondidas por detrás do maldito politicamente correto.
Em determinado momento, o autor cita, com base nos estudos de Nietzsche e Platão, que temos tendência a descrever mal o mundo porque o fazemos desde um ponto de vista "ideal" e não real.
Quer dizer que o tempo todo em que eu perdia meu tempo criando fantasias sobre como o mundo e, principalmente - narcisista como sou - minha vida deveria ser, sempre havia um ser mais esperto lidando comigo de forma real e não ideal. Estes seres - vez ou outra denominados de nomes impróprios, dependendo da ocasião - estavam em casa coçando enquanto eu me martirizava me perguntando porque eu não merecia uma realidade idealizada por mim.
Ao que parece, a razão acalma sentimentos incômodos. Pois acontece que enquanto eu me maravilhava diante de verdades perturbadoras e excitantes, eu passei a não sentir mais nada com relação às minhas neuras anteriores. Tudo aquilo era perfeitamente justificável e, portanto, eu poderia ser madura o bastante para aceitar o desagradável e seguir em frente.
Talvez ao final de minha leitura eu me pegue muito menos romântica, iludida ou sentimental, e isso faça de mim um indivíduo autônomo, o que aparentemente é doloroso: esta liberdade de pensamento que vai contra o conceito democrático tende a custar bem caro - a sociedade atual diz basicamente que, se você não segue o que os outros seguem, você é um idiota.
A melhor descoberta da semana foi saber que, ao entender o ponto de vista filosófico dos meus dramalhões, superar coisas que já estavam predestinadas ao fracasso se tornariam muito mais fáceis - e interessantes. Da próxima vez que olhar pra trás e rir ao lembrar dos tais dramas, talvez chegue a agradecer os digníssimos filósofos que, sem nem cogitar a ideia, me ajudaram a superar meus mais idiotas devaneios.
NOTA: O "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia - Ensaio de Ironia" é do autor Luiz Felipe Pondé.
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Um comentário:
Que orgulho de você Dani, cada vez mais inspiradora!
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