A obsessão de todo escritor é uma pagina em branco do Word. Depois
de checar todas as novidades na rede tudo o que nos resta é abri-la. É como um
aviso para o cérebro: “Ei, é
hora de produzir! Comece!”.
Nessa mentalidade, podemos passar vários minutos – o que
parecem horas – diante da branquidão daquela folha, apenas esperando que algo
seja escrito. Pode ser qualquer coisa, uma frase, uma receita, uma história.
Tudo o que precisamos é preenchê-la, por quê? Porque dá gosto fazer isso.
Estamos comprometidos com nossas almas a escrever coisas
realmente significantes. A estória que almejamos escrever é nossa paixão
platônica até que seja terminada. Por ser uma paixão, não esperamos nada em
troca. Queremos muito que vejam e compreendam nossas palavras, porque
superficialmente adoramos os elogios, as críticas, os xingamentos. Adoramos a
atenção que é dada a elas.
Porém, acontece também que vistas ou não, aquelas
palavras enchem o espaço vazio que existe em cada um de nós – seja ele pequeno
ou grande. É a terapia dos desconsolados, dos duros, dos românticos e dos
entediados. Nos mantém a salvo da insanidade apesar de nos sentirmos tentados a
experimentá-la, mas nos deixa saborear o gosto das loucuras um pouquinho de
cada vez pra não ficarmos viciados em sua doçura ou acabarmos caindo nos braços
da amargura.
A página em branco também é uma tortura. Quando somos
invadidos pelo medo da falta de inspiração crônica pensamos em como as coisas
poderiam ser diferentes. Dentro de nós tudo seria mais quieto, preto e branco e
áspero. É desesperador do ponto de vista literário.
Nossa missão é tocar os corações, mas só fazemos isso
quando o primeiro a ser tocado é o nosso. Por isso a pressão não ajuda. Muito
pelo contrário. Ela tira a espontaneidade que transforma um amontoado de frases
em um belo texto. Deixa tudo sem sal, sem gostinho de quero mais.
O que movem as palavras que tocam no coração das
pessoas – que fazem chorar, rir e se arrepiar – é aquela paixão avassaladora.
Como um casal de amantes se esquece do mundo em seus momentos de prazer, nos
refugiamos no deleite de criar e inspirar.
E tudo porque amamos o que fazemos.
Daniela Souza não teve lapsos momentâneos de falta de criatividade ao redigir este texto, ao som de "Love me do" - The Beatles.


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