- Há quanto tempo está aí? – Perguntou Amy
ao dar de cara com Ben olhando-a enquanto dormia.
-
Uns dez minutos. – Respondeu ele.
- Isso é estranho. Principalmente porque
não sou o que chamam de “bonita” ao acordar.
– Disse sonolenta e cobrindo o rosto com a palma das mãos. Ben deu uma leve
risada.
-
Não seja boba. Você é linda.
- Considerando que já conseguiu me levar pra
cama, vou supor que seu elogio faz parte do seu plano de garantir uma próxima.
– Disse ela, agora se sentando e encostando-se à cabeceira da cama.
- Pode
até ser. – Disse com um olhar pensativo. – Mas você é linda. Isso é um fato.
Tem que lidar com isso.
Ela deixou um sorriso escapar, mas logo se
conteve. Observou o quarto, já iluminado pela manhã de domingo. Suas roupas
estavam jogadas pelo chão, e lembrou-se instantaneamente de não deixar o lençol
descobrir seus seios. Percebendo sua preocupação em mantê-los escondidos, Ben soltou
um meio sorriso:
-
Não está envergonhada, está?
- Claro que não. Só estou mantendo as “garotas”
aquecidas. – Disse ela de forma bem
humorada. Ele riu. Amy reparou que já ele já estava vestido, e então olhou para
o relógio no criado-mudo. Ainda era cedo, e ela desejava dormir um pouco mais, o
que não faria. Uma vez acordada, tinha que levantar.
-
Pode dormir mais, se quiser. – Disse ele, como se lesse seus pensamentos.
- Não, obrigada. – A cabeça começou a
latejar. “Aí vem a ressaca”, pensou, arrependendo-se de ter exagerado no vinho
noite passada.
-
Gostei de ontem à noite. – Disse ele.
- Fala da minha performance ou da maneira
atirada da qual ignorei minha regra dos 8 encontros?
- Da
perfomance, claro. Mas prefiro o termo “ousada”, ao invés do “atirada”.
- Que seja este o termo, então!
-
Gosto de ousadia. Além do mais, você faz mais o tipo de garota que quebra
regras, mesmo.
- Não as minhas. São como princípios.
Aparentemente eles não resistiram a duas taças de vinho e uma rodada de
tequila. – Disse ela, enquanto
vasculhava por debaixo dos lençóis para ver se conseguia achar seu sutiã. – Ele
sorriu, levantou e abaixou-se para pegar algo no chão. Estendeu o sutiã preto
de rendas na direção dela, que se enrubesceu no mesmo instante.
-
De qualquer forma, era nosso quinto encontro. O que são três a mais?
- Simples. Os primeiros três encontros
definem o nível de intimidade intelectual, os próximos três serão a prova de
que a ligação intelectual entre nós é a fonte da química física que pode, e
possivelmente deverá acontecer entre o sétimo e oitavo encontro.
- Não
me parece muito simples. Você tem um manual de como fisgar os caras aí na
cabeça?
- É mais um manual de como fisgar um
namorado.
-
Hum. E ter essa conversa não quebra o protocolo desse manual?
- Não faz diferença. Você não é bem um
namorado em potencial.
-
Eu deveria me sentir ofendido, não é? – Perguntou ele bem humorado. Ela
levantou os ombros e tirou o lençol assim que conseguiu vestir o sutiã. –
Certo, então sua lógica supõe que você começaria as preliminares no sétimo
encontro e esperava que eu as terminasse no oitavo?
- Não, isso seria trapaça.
-
Da sua parte.
- Exato. Eu só te daria um gostinho do
paraíso. – Ele sorriu um pouco
desacreditado.
-
Isso realmente funciona pra você?
- Talvez. – Ele a olhou curioso – É uma regra meio nova.
-
É, acho que pode culpar a bebida por isso.
- Não exatamente.
-
Como assim? – Perguntou ele, que estava sentado no canto da cama.
- Eu não posso te dizer.
-
Isso revelaria um segredo? – Ela permaneceu calada. – Eu não sou um namorado em
potencial, lembra?
Ele suspirou diante do silêncio de Amy, e
passaram alguns instantes sem dizer nada.
-
Eu tenho uma teoria. – Disse Ben.
- Vamos ouvi-la.
-
A coisa da “intimidade intelectual” – disse ele fazendo aspas com os dedos –
aconteceu no primeiro encontro, quando nos conhecemos na cafeteria. Você
provavelmente ficou fascinada com meu papo sobre Shakespeare. – Ela revirou os
olhos. – Nossa conversa de três horas deve ter valido pelos próximos três encontros.
A química “física” aconteceu no segundo e continuou no terceiro e no quarto. O
que nos levou ao quinto. Que, admito, talvez não tivesse acontecido se não tivéssemos
bebido além da conta. O fato é: você sofreu do mal de precipitação.
- O que faz de você um “peguete” em potencial.
-
Significa que não temos uma relação madura o bastante para eu me tornar seu
namorado?
- Exatamente.
-
Então, partindo do princípio de que é preciso ser imaturo para se apaixonar,
não estaríamos no caminho certo?
- De quem é esse princípio?
-
Meu. - Ben sorriu da forma charmosa como sempre o fazia, deixando uma covinha
no canto da boca aparecer.
- A sua
lógica soa melhor do que a minha. – Amy admitiu. – Mas não funciona. Não estamos apaixonados.
-
Ainda somos imaturos para admitir isso. – Amy calou-se, olhou para as próprias
mãos por alguns segundos e logo voltou a olhar para Ben.
- Por mim tudo bem, então. Não gosto de
rotular meus sentimentos, mesmo. - Disse ela, despertando outro sorriso de
covinhas charmosas nele.
Trilha sonora: Nine in the Afternoon - Panic! At the Disco

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