domingo, 18 de novembro de 2012

Nine in the Afternoon



- Há quanto tempo está aí? – Perguntou Amy ao dar de cara com Ben olhando-a enquanto dormia.
- Uns dez minutos. – Respondeu ele.
- Isso é estranho. Principalmente porque não sou o que chamam de “bonita” ao acordar. – Disse sonolenta e cobrindo o rosto com a palma das mãos. Ben deu uma leve risada.
- Não seja boba. Você é linda.
- Considerando que já conseguiu me levar pra cama, vou supor que seu elogio faz parte do seu plano de garantir uma próxima. – Disse ela, agora se sentando e encostando-se à cabeceira da cama.
- Pode até ser. – Disse com um olhar pensativo. – Mas você é linda. Isso é um fato. Tem que lidar com isso.
 Ela deixou um sorriso escapar, mas logo se conteve. Observou o quarto, já iluminado pela manhã de domingo. Suas roupas estavam jogadas pelo chão, e lembrou-se instantaneamente de não deixar o lençol descobrir seus seios. Percebendo sua preocupação em mantê-los escondidos, Ben soltou um meio sorriso:
- Não está envergonhada, está?
- Claro que não. Só estou mantendo as “garotas” aquecidas. – Disse ela de forma bem humorada. Ele riu. Amy reparou que já ele já estava vestido, e então olhou para o relógio no criado-mudo. Ainda era cedo, e ela desejava dormir um pouco mais, o que não faria. Uma vez acordada, tinha que levantar.
- Pode dormir mais, se quiser. – Disse ele, como se lesse seus pensamentos.
- Não, obrigada. – A cabeça começou a latejar. “Aí vem a ressaca”, pensou, arrependendo-se de ter exagerado no vinho noite passada.
- Gostei de ontem à noite. – Disse ele.
- Fala da minha performance ou da maneira atirada da qual ignorei minha regra dos 8 encontros?
- Da perfomance, claro. Mas prefiro o termo “ousada”, ao invés do “atirada”.
- Que seja este o termo, então!
- Gosto de ousadia. Além do mais, você faz mais o tipo de garota que quebra regras, mesmo.
- Não as minhas. São como princípios. Aparentemente eles não resistiram a duas taças de vinho e uma rodada de tequila. – Disse ela, enquanto vasculhava por debaixo dos lençóis para ver se conseguia achar seu sutiã. – Ele sorriu, levantou e abaixou-se para pegar algo no chão. Estendeu o sutiã preto de rendas na direção dela, que se enrubesceu no mesmo instante.
- De qualquer forma, era nosso quinto encontro. O que são três a mais?
- Simples. Os primeiros três encontros definem o nível de intimidade intelectual, os próximos três serão a prova de que a ligação intelectual entre nós é a fonte da química física que pode, e possivelmente deverá acontecer entre o sétimo e oitavo encontro.
- Não me parece muito simples. Você tem um manual de como fisgar os caras aí na cabeça?
- É mais um manual de como fisgar um namorado.
- Hum. E ter essa conversa não quebra o protocolo desse manual?
- Não faz diferença. Você não é bem um namorado em potencial.
- Eu deveria me sentir ofendido, não é? – Perguntou ele bem humorado. Ela levantou os ombros e tirou o lençol assim que conseguiu vestir o sutiã. – Certo, então sua lógica supõe que você começaria as preliminares no sétimo encontro e esperava que eu as terminasse no oitavo?
- Não, isso seria trapaça.
- Da sua parte.
- Exato. Eu só te daria um gostinho do paraíso. – Ele sorriu um pouco desacreditado.
- Isso realmente funciona pra você?
- Talvez. – Ele a olhou curioso – É uma regra meio nova.
- É, acho que pode culpar a bebida por isso.
- Não exatamente.
- Como assim? – Perguntou ele, que estava sentado no canto da cama.
- Eu não posso te dizer.
- Isso revelaria um segredo? – Ela permaneceu calada. – Eu não sou um namorado em potencial, lembra?
 Ele suspirou diante do silêncio de Amy, e passaram alguns instantes sem dizer nada.
- Eu tenho uma teoria. – Disse Ben.
- Vamos ouvi-la.
- A coisa da “intimidade intelectual” – disse ele fazendo aspas com os dedos – aconteceu no primeiro encontro, quando nos conhecemos na cafeteria. Você provavelmente ficou fascinada com meu papo sobre Shakespeare. – Ela revirou os olhos. – Nossa conversa de três horas deve ter valido pelos próximos três encontros. A química “física” aconteceu no segundo e continuou no terceiro e no quarto. O que nos levou ao quinto. Que, admito, talvez não tivesse acontecido se não tivéssemos bebido além da conta. O fato é: você sofreu do mal de precipitação.
- O que faz de você um “peguete” em potencial.
- Significa que não temos uma relação madura o bastante para eu me tornar seu namorado?
- Exatamente.
- Então, partindo do princípio de que é preciso ser imaturo para se apaixonar, não estaríamos no caminho certo?
- De quem é esse princípio?
- Meu. - Ben sorriu da forma charmosa como sempre o fazia, deixando uma covinha no canto da boca aparecer.
 - A sua lógica soa melhor do que a minha. – Amy admitiu. – Mas não funciona. Não estamos apaixonados.
- Ainda somos imaturos para admitir isso. – Amy calou-se, olhou para as próprias mãos por alguns segundos e logo voltou a olhar para Ben.
- Por mim tudo bem, então. Não gosto de rotular meus sentimentos, mesmo. - Disse ela, despertando outro sorriso de covinhas charmosas nele.


"Porque são nove da tarde
Seus olhos são do tamanho da lua
Você é boa porque você pode então faça
Estamos nos sentindo tão bem, do jeito que nós fazemos"

Trilha sonora: Nine in the Afternoon - Panic! At the Disco

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