Costumava me prender aos estereótipos e tabus implantados em minha cabeça durante uma vida inteira. Recentemente venho me curando deste mal. Ele me tornava ingênua, medrosa e com ambições que só pareciam possíveis durante o sono.
Agora venho experimentando da curiosidade e da adrenalina de apostar todas as moedas apenas por diversão. Sou eu tentando ser feliz sem motivos exatos, respirando fundo como quem prendeu a respiração por vários minutos. Me parece que quando paro para pensar nisso - como neste exato momento - soa tudo bem complicado e utópico. Lembro dos problemas, me sinto estúpida pelas atitudes erradas que posso ter tomado ao longo do dia e pelas palavras mal colocadas nas frases.
Mas então vêm aqueles momentos incríveis em que os medos somem, as risadas permanecem, o coração fica a mil, onde a alegria é sentida em seu estado mais natural. E tudo parece tão simples.
O problema são os momentos exagerados de reflexão. Fico aqui diante deste computador esperando me distrair e acabo o fazendo com meus próprios pensamentos. Quando dou por mim, estou dando atenção às minhas mais estúpidas teorias e agarrando-me aos meus mais antigos pavores. E isso por sua vez me leva a tomar atitudes um tanto detestáveis - coisa de gente neurótica - enquanto sigo numa busca implacável pela razão, que acabará não me servindo de nada.
Este limbo onde me encontro - entre a razão e a felicidade - parece ser meio permanente. Mas é uma evolução, considerando que eu costumava estar sempre do lado da razão. Parecia mais certo, aconchegante e seguro, enquanto eu resistia bravamente ao sedutor chamado da felicidade. Ela devia estar bem disfarçada por ter me enganado de maneira tão convincente em todos estes anos.
Eu soube o que perdi no momento em que me senti finalmente livre. Tudo bem, é uma liberdade meio condicional, fruto de uma mudança interna gradativa, que exige uma paciência que está sendo adquirida sabe -se lá de onde!
O segredo está em aprender a conciliar razão e emoção. Quando dominamos essa arte, tudo parece mais leve, divertido e aturável, resultando no bom senso, tão subestimado e pouco utilizado em um período em que a solução da maior parte de nossos problemas parece estar concentrada nele.
No debate entre razão e felicidade escolho este limbo, pois optar por apenas um deles parece a mais babaca das insanidades. Estou de mãos dadas com o melhor que os dois podem me oferecer.

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