- Você sabe que ele é um imbecil, não é? - Perguntou Tyler enquanto observava o sol nascer, com os cotovelos apoiados sob a grade de proteção do parque.
Annie ajeitou-se, e enquanto lutava contra as pálpebras pesadas limitou-se a responder:
- Sei.
- Ele só quer te usar.
- Sem problemas. Eu também só quero usá-lo.
- Então não há vestígios de sentimentos por ele em você?
- Não. Nenhum.
- Não está apaixonada?
- Não.
- Você ao menos gosta dele?
- Eu não o suporto. Ele é brigão, exibido e conta piadas terríveis.
- Então por que estão juntos?
- Não estamos "juntos".
- Então como chama isso o que vocês têm?
- Conveniência.
Tyler sorriu abismado e passou a olhá-la, procurando vestígios de dúvidas por trás de tanta segurança.
- E o que é que tanto te atrai nele?
- Eu não sei. - Disse ela levantando os ombros. - Talvez seja o sorriso com covinhas, ou as camisetas com frases engraçadas que ele usa.
- Só?
- E o que mais poderia ser?
- Eu não sei. Mulheres se atraem apenas com covinhas e camisetas engraçadas? - Ela suspirou enquanto esforçava-se para achar uma característica no sujeito que pudesse agradá-la.
- Ele tem senso de humor. - Disse ela.
- Mas disse que ele faz piadas horríveis.
- Bem, ele não é nenhum Chris Rock da vida, não é?
- Existe algo na personalidade dele que possa lhe atrair, além do senso de humor?
- Dificilmente.
- Ainda não entendo porque está com ele. Vai acabar sendo magoada.
- Está atrasado. Eu já fui.
- O que aconteceu?
- Eu mandava mensagens e ele demorava horas pra responder. Eu desejava que ele me convidasse pra sair e ele estava sempre arranjando desculpas. Ele me iludia com palavras floreadas e eu acreditava todas as vezes. E antes de perceber que só era conveniente pra ele, me apeguei.
- E o que você fez?
- Roubei seus segredos, descobri suas inseguranças. Minha carência era o que alimentava o seu ego. Parei com as mensagens, saía com meus amigos, conhecia outros caras e acabei percebendo que sou boa demais pra ele. Minha indiferença cutucou seu orgulho e ele voltou, diferente, atencioso, enquanto eu o aceitava ainda indiferente, ardente mas fria, doce porém amarga. Agora é simplesmente divertido.
- Ser como ele?
- Não. Dar o troco.
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