O Facebook dominou a minha vida.
Essa não é uma afirmação muito fácil de se fazer, considerando todas as vezes que a neguei quando meus amigos a jogavam na minha cara. "Eu não estou me exibindo" ou "Só gosto de socializar" eram desculpas frequentes. Quem eu estava enganando? É claro que eu estava me exibindo. Eu me igualei às outras bilhões de pessoas ao redor do mundo que acordam todos os dias e ligam os computadores em busca de atualizações enquanto torcem para que estas não sejam apenas convites para algum tipo de jogo que eu não jogaria por pura preguiça.
Fiquei tão viciada em minha "realidade" virtual na rede que deixei a vida real virar uma bagunça. Tornou-se um vício mostrar pra todo mundo o que é que eu pensava e acreditar que um "Curtir" significava que as pessoas estavam finalmente me escutando - ou lendo, que seja. Elas não estavam. Elas sequer leem o restante de meus posts neste blog, se contentam com o trecho que representa apenas 40% das ideias do tal texto.
Como se não bastasse, "sem querer querendo" eu soltava indiretas, a forma mais patética e infantil de se dizer o que sente sem realmente dizer achando que está sendo ouvida, quando na verdade está expondo deliberadamente sua tamanha carência emocional que não precisava ser alvo de chacota do mundo.
E hoje, como um balde de água fria em minha cabeça eu estou aqui me perguntando qual foi o momento exato em que me deixei levar pela ideia de que construir uma "vida perfeita" fraudulenta em minha timeline faria de mim uma pessoa legal e descolada. E se fizesse, qual seria a diferença se não conseguisse ser assim na prática?
Não é que eu não era aquilo que postava, mas eu tinha momentos de exagero. Virou uma estúpida necessidade mostrar que eu li, escrevi ou curti algo que me faria parecer "culta". Pareceu um disfarce disfarçado. Quer dizer, aquela realmente era eu lendo, escrevendo e curtindo as coisas que me definiam como pessoa, mas o modo forçado como eu jogava essa informação na cara das pessoas todas as vezes fazia com que parecesse que eu estava apenas inventando ser alguém que eu não sou, quando na verdade eu não estava.
Eu era um livro aberto. Senti que faltava aquela dose sexy e curiosa de mistério, aquele "quê" de não estar por dentro das modinhas e a naturalidade de despertar a atenção dos outros sem que haja muito esforço. Me faltava ser eu de novo.
E é por isso que neste exato momento estou - com muito pesar e esperança - desativando minha conta do Facebook. Ou de uma maneira mais clichê e dramática, estou me desagregando da manada do modismo e optando pela vida solitária - ou utilitária - na rede. Encarar isso como um desafio só me faria cair em tentação e mais cedo ou mais tarde eu acabaria voltando.
Será um novo hábito, e eu vou acabar reaprendendo que viver de verdade é melhor do que se iludir com as redes sociais.
Daniela Souza cansou de seu alter ego "Padalecki". Agora ela é só a Daniela Gomes de Souza.


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